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Legado das Palavras: John Green

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Sempre me questionei, após ler os livros do escritor John Green, o motivo das histórias ainda não terem ido aos cinemas. A maneira como suas obras conversam, sobre diversos temas da vida, com o publico jovem, são um grande atrativo. Em um espaço relativamente curto de tempo entre eles, chegaram A Culpa é das Estrelas, em 2014, e Cidades de Papel, estreia recente nos cinemas brasileiros.
Ainda que guardem elementos em comum, as narrativas de Green possuem um tom caracterĂ­stico e em Paper Towns (nome original) nĂŁo Ă© diferente. Os roteiristas sĂŁo Scott Neustadter e Michael H. Weber, eles novamente adaptam uma obra do autor; a dupla tambĂ©m roteirizou The Fault In Our Stars (nome original) – dentre outros trabalhos, adaptaram O Maravilhoso Agora (The Spectacular Now) e, Neustadter, baseado em dois relacionamentos reais, criou a histĂłria 500 Dias Com Ela (500 Days Of Summer). Ou seja, pela bagagem de ambos, fica fácil perceber que tambĂ©m possuem uma linguagem que fala bastante com o pĂşblico adolescente. Jake Schreier (Frank e o RobĂ´) faz uma boa direção, sem inovação ou brilhantismo, mas tambĂ©m passa distante do fracasso.
Natt Wolf, que foi um bom coadjuvante em A Culpa Ă© das Estrelas, agora Ă© o protagonista, Quentin. O garoto Ă© apaixonado pela indecifrável e bela, Margo Roth Spielgeman, interpretada por Cara Delenvigne. Radar (Justice Smith) e Ben (Austin Abrams) – este Ăşltimo destaca-se pela atuação, repetindo o feito de Wolf como coadjuvante – interpretam os melhores amigos de Quentin.
Margo e Quentin se conhecem após tornarem-se vizinhos, ainda crianças, e consequentemente grandes amigos. O decorrer dos anos faz Quentin entender que está apaixonado pela garota, mas passagem do tempo acaba afastando-os, embora ainda morem lado a lado. Separados pela adolescência, Quentin tem uma grata surpresa quando, em uma noite qualquer, Margo invade seu quarto, convidando-o para fazer parte de sua vingança contra pessoas que lhe fizeram mal.
Ele vive a melhor noite de sua vida, porĂ©m, nos dias posteriores Ă  insana aventura, Margo desaparece sem deixar pistas – exceto para Quentin. Unidos com os amigos e cheio de paixĂŁo, Quentin sai Ă  procura de mais pistas, o que os leva em uma verdadeira road trip na incessante busca por Margo.
Os leitores mais fiéis estranharão a livre adaptação feita da obra. Em certo momento, ganha vida própria, desprendendo-se do enredo do livro. Não é recente a birra que pessoas nutrem quanto à fidelidade, na maioria dos casos, ela pende para o lado negativo (vide Under The Dome); mas em Cidades de Papel ocorre o contrário. Muitos excessos em relação à história original são retirados, dando agilidade ao enredo e melhorando as mensagens passadas por John Green (ponto para os roteiristas). Quanto ao final, ele não é exatamente como no livro, o que vai gerar muita discussão entre os fãs. Entretanto, assim como a liberdade de uma adaptação prejudica, a aposta dos responsáveis, consegue mostrar que podem existir ganhos. E esses benefícios ficam claros na atualização das referências da cultura pop (rimos com citações de Pokémon a Game Of Thrones), que geram trechos divertidos na projeção.
Os personagens seguem a mesma ótima linha de construção e são bem desenvolvidos dentro da narrativa, o que auxilia muito os protagonistas, uma vez que Natt Wolf e Cara Delenvigne não tenham uma química excelente. Pontos chaves do livro fazem-se presentes, para delírio dos leitores.
O filme Ă© voltado para o publico jovem, cujas amizades e amores estĂŁo sendo despertados, mas tambĂ©m desperta a nostalgia de tempos escolares e grandes amizades da vida nos mais velhos. Cidades de Papel está cheio de bons sentimentos que nos remetem a fases emocionantes de nossas existĂŞncias.  





Algumas pessoas torcem o nariz quando menciono John Green como uma de minhas inspirações literárias (principalmente quando escrevo para jovens adultos). Muitos dizem que ele segue a mesma forma em todos seus livros, bem, não discordo, contudo, também isso não é uma afirmação correta em sua totalidade.
As histórias de JG possuem, sim, algumas semelhanças. O que, de certo modo, acaba tornando os livros um pouco previsíveis, mas (aqui entra o principal motivo dele me inspirar tanto), ele é muito competente em passar ótimas mensagens e explorar alguns significados da vida. Isso é fato, você aceite ou não. Se JG consegue realizar isso com destreza e perfeição? Em uns livros mais que nos outros, mas consegue falar e sustentar bem a sua ideia. Seus questionamentos aproximam os jovens de temas como morte, perda, futuro, entre outros.
Em Cidades de Papel – livro desta resenha – ele explora o que uma pessoa realmente Ă© e o que como decidimos enxergá-la. Como, Ă s vezes, julgamos conhecer alguĂ©m, mas no fundo, conhecemos apenas a sua superficialidade. Incluindo nĂłs mesmos. É inevitável lançarmos um olhar ao nosso interior, mas tentar descobrir mais sobre quem realmente somos. Há questionamentos sobre a vida, amizades, claro, temas essenciais na literatura de Green. 

Quentin Jacobsen Ă© apaixonado pela vizinha, Margo Roth Spiegelman, desde criança. Na infância, brincavam juntos, mas as coisas mudaram no colĂ©gio. Quentin tornou-se um tĂ­pico nerd e Margo a garota mais popular. Contudo, certa noite, ela convoca para ser seu cĂşmplice num audacioso plano de vingança. Apaixonado desde sempre, claro que ele aceita participar. Uma noite de aventuras se desenrola, algo que Quentin jamais esquecerá. As coisas entre eles parecem ter mudado, entretanto, no dia seguinte o paradeiro de Margo Ă© um mistĂ©rio. Quentin decide encontrá-la custe o que custar, sua atitude Ă© ainda mais impulsionada apĂłs encontrar pistas deixadas por ela. Começa sua jornada atrás da garota que ama, repletas de reviravoltas que acabarĂŁo por desvendar muitos dos mitos e segredos a cerca de Margo.   
Comicidade e acidez são outros elementos da narrativa de JG, gosto de como ele consegue conduzir o leitor através de suas metáforas e mistérios, envolvendo-os. A escrita é a mesma, presente em demais obras do autor o que é bom, mas está tornando-se um pouco massiva, cansativa. São quatro livros no mesmo estilo e estrutura e personagens. Sim.
Os personagens de Cidades de Papel sĂŁo clichĂŞs. O eterno amor entre o nerd e a garota mais popular. Os amigos de Q, sĂŁo os mais idiotas possĂ­veis. Juntos formam um grupo clássico que parte em busca da garota desaparecida. O talento de JG nĂŁo deixa Q e sua turma serem odiáveis, chatos ou cansativos, isso por conta do desenvolver da histĂłria que, em poucos capĂ­tulos, nos faz esquecer o clichĂŞ dos personagens e rir ou refletir junto com eles. Seus personagens podem ser todos clichĂŞs, mas nĂŁo sĂŁo rasos ou vazios. Spiegelman, sobrenome de Margo, em alemĂŁo, Ă© algo como “pessoa que faz espelhos”, metáfora, talvez, para que olhemos Ă s pessoas buscando enxergar alĂ©m delas e nĂŁo um mero reflexo. 

Cidades de Papel Ă© meu segundo romance preferido do autor, perdendo apenas para Quem Ă© VocĂŞ, Alasca?. Uma leitura fácil e divertida, com certa leveza, mas repleta de boas mensagens. E quanto ao final do livro, vi muitos fĂŁs reclamando, cá entre nĂłs: sĂ©rio que vocĂŞs ainda nĂŁo se acostumaram? Os finais de todos os livros sĂŁo assim tambĂ©m, abertos.      

Decidi dar uma chance para Eleanor & Park após ler a resenha escrita por John Green, para o The New York Times. Lançada no Brasil pela editora Novo Século, a obra possuí 325 páginas e foi concebida pela escritora Rainbow Rowell.
Eleanor e Park sĂŁo os protagonistas da histĂłria situada no ano de 1986. Eleanor Ă© a nova garota da escola, alta e com cabelos ruivos, como se isso nĂŁo bastasse para tomar a atenção para si, ela gosta de se vestir de modo estranho. Park Ă© descendente de coreanos, o tipo de garoto legal, mas que nĂŁo toma toda a popularidade para ele. Vidrado em quadrinhos e mĂşsica, duas coisas que ajudam na aproximação entre ele e Eleanor. Guiando-os para uma histĂłria sobre o primeiro amor prĂłxima da realidade,  imperfeita, intensa e interessante.
  Ambos os personagens tardaram em despertar alguma empatia em mim, na verdade, a histĂłria em si, começa lenta e arrastada. SĂŁo situações chatas, bem exploradas pela autora (a tal ponto que, confesso, precisei de certa força de vontade para nĂŁo abandonar a leitura), praticamente fatos reais que ocorrem na adolescĂŞncia. Entretanto, aos poucos, personagens e histĂłria, evoluem, ganham contornos brilhantes e tornam-se apaixonantes. Para quem Ă© familiarizado com quadrinhos ou bandas de Ă©poca, certamente encontrarĂŁo Ăłtimas referĂŞncias, que nos aproximam dos personagens.
É incrĂ­vel o modo como a histĂłria melhora no decorrer das páginas, os personagens conquistam o coração do leitor e o que era fraco, começa a ser Ăłtimo, destaco aqui os diálogos, quase inexistentes no inĂ­cio. As conversas entre Eleanor e Park sĂŁo muito bem construĂ­das, seja quando discutem quadrinhos ou mĂşsica e, principalmente, quando falam deles. Rainbow Rowell narra de modo sutil o amor florescendo entre o casal, nĂŁo Ă© curto o tempo em que eles namoram, sem se beijarem, apenas com o toque das mĂŁos e a troca de olhares. Aos poucos eles descobrem os “segredos” de um relacionamento, algo que para quem está lendo Ă© muito bonito.
Se os protagonistas são personagens bons que conquistam o leitor, embora não em uma primeira impressão, por outro lado, os personagens secundários são pouco explorados e nenhum é realmente memorável. Menciono isso por levar em conta que a história é narrada em terceira pessoa, o que poderia servir para criar outros bons personagens para contribuir com o livro.
Rowell mostra-se hábil na mesma narrativa em terceira pessoa, ao utilizar os POV (Point of Views) ou pontos de visĂŁo. Ora Eleanor, ora Park. Semelhante ao que o George R. R. Martin faz nos livros d’As CrĂ´nicas de Gelo e Fogo, assim como muitos outros escritores. Rainbow utiliza bem a inversĂŁo dos pontos, em certos momentos atĂ© na mesma cena, vemos bastante dos dois personagens na histĂłria. Em dadas partes da histĂłria o narrador parece se expressar diretamente com o leitor, algo realmente bom.
Temos um começo arrastado, um desenvolvimento ótimo e um final que não me convenceu. Achei fraquíssimo ao apresentado anteriormente. Vou me abster de demais comentários sobre o desfecho final, para não prejudicar a leitura ou estragar o interesse de vocês, leitores do blog, no livro. Minhas duas últimas leituras tiveram finais parecidos.
Vale a pena ler Eleanor & Park? Sim. Principalmente pelos diálogos e por se tratar de uma histĂłria fora dos padrões e da pieguice dos romances de “primeiro amor”. Realmente gostei da leitura, entretanto, ela nĂŁo Ă© intocável e possuĂ­ sim, alguns pontos negativos como destaquei.
E eu acho que um filme, se bem produzido e fiel ao original, pode vingar. Os direitos da obra já foram comprados pela DreamWorks Studios. Vamos aguardar.


Começarei com uma confissĂŁo: A Culpa Ă© das Estrelas nĂŁo Ă© meu livro favorito do escritor John Green. Contudo, gostei da histĂłria, talvez seja um pouco superestimado por algumas pessoas. Talvez nĂŁo. O fato Ă© que se tornou um fenĂ´meno – e nĂŁo sĂł de vendas - muito comentado e indicado, a histĂłria de Hazel e Gus eclodiu entre os jovens e nĂŁo parou apenas neles. A adaptação do livro de Green estreou nos cinemas na Ăşltima quinta-feira e eu fui conferir.
O cinema estava cheio. Pessoas saĂ­am das salas com os olhos marejados e avermelhados. Outras pessoas choravam copiosamente. Respirei fundo e pensei “vamos lá!”.
Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) é paciente terminal que, mesmo lutando contra a doença, auxiliada pela medicina, compreende que o desfecho de sua vida pode acontecer repentinamente. Solitária e conformada, ela sequer imaginaria conhecer alguém que mudaria sua história. Alguém inesquecível. Augustus Waters (Ansel Elgort), o desejo de toda garota. Hazel e Gus se conhecem graças aos encontros do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, completando as ausências de suas vidas em um romance inspirador, irreverente e melancólico.
A Culpa Ă© das Estrelas chega com aquele sabor de uma Ăłtima adaptação para os fĂŁs, capaz (e muito!) de agregar ainda mais admiradores Ă  histĂłria, mesmo que desconheçam o livro. Os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber (que tambĂ©m escreveram 500 Dias Com Ela), conseguiram transpor toda essĂŞncia do livro Ă s telas de cinema, capturaram o que tinha de melhor e exploraram da melhor maneira possĂ­vel. Os diálogos sĂŁo totalmente fieis Ă  obra original, embora sejam grandiloquentes, atravĂ©s das atuações – principalmente da Shailene e Ansel - torna-se verossĂ­mil, delicados e cheios de emoção. O diretor Josh Boone (do Ăłtimo, Ligados Pelo Amor) conduz o filme com uma narrativa simples, ciente que a queda ao clichĂŞ Ă© possĂ­vel, consegue tirar a atenção do casal e do romance, utilizando muito bem a mĂŁe de Hazel, interpretada por Laura Dern, e o escritor pĂ©-no-saco, vivido por Willem Dafoe. Utilizando tais personagens para explorar outros sentimentos em Hazel, tira o foco do romance, sem cansar o pĂşblico. Quanto Ă  trilha sonora melancĂłlica, ainda que Ăłtima, Ă© um pouco apelativa, e embalada a tristeza dos personagens e da histĂłria em todos os momentos.
O filme me surpreendeu. Assim como o livro, vai além do romance barato entre pessoas com câncer. A morte é martelada a todo instante, a tristeza impregnada não consegue aflorar, soterrada com as aventuras daquelas duas vidas entrelaçadas. Não é apelativo, porém consegue comover (em quase toda a projeção foi possível ouvir sniff! sniff!), o drama é bem explorado e o que dá o peso e a coesão necessária para não ser algo maçante e apelativo são os atores.
Shailene Woodley (Divergente) e Ansel Elgort (Carrie) possuem uma química incrível entre eles, as atuações são carregadas, poderosas. Shailene consegue encarnar perfeitamente a Hazel carismática, amorosa e chata! Ansel, por sua vez, com seus trejeitos, seu jeito de olhar, o modo como sorri, faz os corações palpitarem mais forte e a carga dramática que ele emprega no personagem numa devida parte do filme é incrível. Desde o primeiro instante quando se encontram, nasce uma grande empatia pelo casal que no decorrer da história só aumenta. Você sabe, sente, busca se preparar, quer evitar, mas para muitos as lágrimas são quase inevitáveis (fiquei com um cisco no olho me irritando). O filme prepara, entrega o que acontecerá, e, ainda assim, o golpe é doloroso e emocionante. Laura Dern e Dafoe surgem muito bem em cena com atuações bastante consistentes, assim como Nat Wolff.

O filme traz as mensagens e metáforas escritas por Green. É sutil, delicado. Apresenta muito mais que um amor com o fim determinado, assim como o livro. Cria uma forte empatia rapidamente, logo nos primeiros minutos. Eu temia que a adaptação nĂŁo ficasse tĂŁo boa, me surpreendi, por fim, acabei achando ainda melhor que o livro. É um dos grandes filmes do ano e a melhor surpresa atĂ© agora.   

VocĂŞ alguma vez já buscou o seu “Grande Talvez”? Mas, o que seria o “Grande Talvez”? 
Acredito que seja algo em torno de viver a vida. Abandonar a zona de conforto, buscar emoções nĂŁo sentidas, desafios nĂŁo vividos. Quebrar as regras, Ă s vezes, sim. Conhecer, viver, sorrir, chorar, explorar, muitas coisas podem englobar o Grande Talvez, cada pessoa irá encontra-lo com sua singularidade. 
Acredito nisso.
É assim, filosofando, que se inicia o livro Quem é Você, Alasca?, do famigerado escritor John Green.
Antes do sucesso meteĂłrico de A Culpa Ă© das Estrelas e Cidades de Papel, Green, logo em seu romance de estreia, já mostrava sinais do quĂŁo habilidoso, filosĂłfico e sensĂ­vel era sua escrita. Quem Ă© VocĂŞ, Alasca? Ă© de longe, mas muito longe, o livro que mais gostei do autor, e isso nĂŁo significa que eu ache os demais ruins – já Ă© possĂ­vel imaginar o quĂŁo bom todos sĂŁo, nĂŁo?
A história triunfa em seus momentos existencialistas, em seus questionamentos sobre a vida e o viver. No modo como mostra que nós somos moldados por nossas vivências. Amizade e amor são temas bem explorados no livro, de uma forma menos clichê que as encontradas convencionalmente. O perdão, talvez mais o autoperdão, também tem lugar de destaque no enredo, ele nos faz assumirmos quem realmente somos e saber que nos momentos vividos fizemos o nosso melhor, mesmo que as consequências nem sempre sejam as desejadas. Até mesmo algumas questões religiosas são abordadas.

Miles Halter Ă© um adolescente fissurado por cĂ©lebres Ăşltimas palavras - e está cansado de sua vidinha segura e sem graça em casa. Vai para uma nova escola Ă  procura daquilo que o poeta François Rabelais, quando estava Ă  beira da morte, chamou de o 'Grande Talvez'. Muita coisa o aguarda em Culver Creek, inclusive Alasca Young. Inteligente, engraçada, problemática e extremamente sensual, Alasca levará Miles para o seu labirinto e o catapultará em direção ao Grande Talvez.  

Os personagens sĂŁo uma bela fonte de conhecimento e referĂŞncias. A narrativa em primeira pessoa favorece a descrição e a profundidade das vivencias de Miles ao ingressar em Culver Creek. O cĂ­rculo de amigos (Takumi Hikohito, Chip "O Coronel" Martin, Lara Buterskayaque) que forma-se Ă© interessante por suas diferenças, cada qual com sua singularidade, conforme avançamos na histĂłria, eles se tornam aquele grupo de amigos inseparáveis, aqueles amigos dos quais jamais nos esqueceremos por conta do momento vivido. Sentimentos afloram de modos incontroláveis, incluindo o amor de Miles pela apaixonante Alasca Young. Entre os seus pontos em comum, a literatura se faz presente de uma forma importante. Alasca Ă© a verdadeira responsável por engrena-lo no caminho do Grande Talvez.

"Imaginar o futuro Ă© uma espĂ©cie de nostalgia (...) VocĂŞ passa a vida toda preso no labirinto, pensando em como vocĂŞ escapará um dia, e o quĂŁo maravilhoso será, e pensar no futuro mantĂŞm vocĂŞ inteiro, mas vocĂŞ nunca fará nada disso. De uma hora pra outra tudo muda, se transforma, e vocĂŞ acabou de usar o futuro fugindo do presente." - Alasca Young    

 " O Ăşnico caminho para sair do labirinto de sofrimento Ă© perdoando." 
Alasca > Hazel. Alasca Young by Radiophonia

ApĂłs um longo perĂ­odo absorvendo a histĂłria do livro (quase seis meses), decidi (tentar) colocar em palavras o que senti ao lĂŞ-lo. Se ler com olhos apenas para o romance adolescente e o cĂ­rculo de amizade em questĂŁo, provavelmente vocĂŞ nĂŁo aproveitará todo o potencial que o livro oferece. Sua beleza está nas entrelinhas, nos mĂ­nimos detalhes que podem facilmente passar despercebidos - assim como todos os livros do John Green que li atĂ© o momento: a beleza da sutileza. 
Por Ăşltimo, digo que este livro tem um plotwist emocionalmente carregado que traz significados e uma beleza espetacular.  
 
Matthew Quick autor de O Lado Bom da Vida está prestes a lançar, simultaneamente no Brasil e EUA, seu novo livro: PerdĂŁo, Leonard Peacock, novamente pela editora IntrĂ­nseca. Nesta nova obra o autor estimula  e explora temas como violĂŞncia e bullying. É difĂ­cil nĂŁo esperar um livro melhor que O Lado Bom da Vida - embora seja difĂ­cil isso ocorrer. O tema Ă© excelente, principalmente por estar em alta nos dias atuais. Confira a sinopse:

Em Perdão, Leonard Peacock, Leonard planeja comemorar seu 18º aniversário usando uma P-38 que foi do avô, a pistola do Reich, para matar seu ex-melhor amigo e depois se suicidar. Antes, porém, ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor de alemão que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto e que desempenha um papel crucial na vida de Leonard quando o jovem se aproxima do que pode vir a ser o seu ato final.

Assim como Leonard Peacock escolhe com cuidado a quem confiar seus segredos, Herr Silverman deve decidir o que está disposto a fazer para ajudar um aluno com sĂ©rios problemas. E como o professor vem a descobrir, esse desafio traz consigo uma sĂ©rie de questões Ă©ticas para as quais nĂŁo há respostas simples, como explica Quick em entrevista ao site Book Page: “Quando vocĂŞ tem que corrigir oitenta dissertações de alunos tentando entrar em Harvard e um estudante chega atĂ© vocĂŞ em crise, chorando, o que vocĂŞ escolhe? VocĂŞ conforta o garoto ou avalia os trabalhos? Ou vocĂŞ conforta o garoto e corrige as dissertações e diz a sua esposa que nĂŁo poderá sair naquele fim de semana? Eu queria construir essa relação como algo desafiador. Qual Ă© o momento de quebrar esses limites, jogar fora das regras? AtĂ© onde o professor vai?”

Outro autor que terá lançamento neste mês de Agosto será John Green, autor do belo A Culpa é das Estrelas. O novo lançamento da Intrínseca chama-se Cidades de Papel. Este romance não parece ser capaz de superar A Culpa é das Estrelas, mas, certamente, torcerei para que me surpreenda. Confira a sinopse:

Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.

Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

Ansiosos?


Olá, leitores do Legado das Palavras!
Se emocionar ao ler um livro Ă© extremamente normal, desejar um final diferente, onde todos sorriam e a “vida” transcorra perfeitamente bem, tambĂ©m. Mas, e quando isso nĂŁo acontece? E quando o fim Ă© melancĂłlico e triste, alĂ©m de totalmente fora do esperado? Nesse caso, podemos apenas aceitar que alguns escritores sabem conduzir uma histĂłria de tal forma que te faça sorrir, mesmo com o final nĂŁo esperado e desprovido daquela felicidade criada e almejada, durante a leitura, para o final do livro. Se o final decepciona, a culpa Ă© do autor. Caso satisfaça, a culpa tambĂ©m será dele. PorĂ©m, o que acontece quando sorrimos e ficamos com os olhos marejados ao terminar o Ăşltimo capĂ­tulo? De quem Ă© a culpa? Bem, acredito que A Culpa Ă© das Estrelas.
Sem mais delongas, vamos às considerações sobre o livro A Culpa é das Estrelas, do autor John Green, publicado no Brasil pela editora Intrínseca.

Sorrir e chorar. Algo que realmente acontece durante a leitura, Green é habilidoso na escolha das palavras, constrói diálogos interessantes e, por narrar em primeira pessoa, aproxima de modo excelente a personagem, Hazel Grace, do leitor. Aliás, Hazel é o grande destaque do livro, mais que a doença, mais que o romance, mais que a filosofia investida. Uma personagem apaixonante, desde as primeiras páginas até a última. O.K. Às vezes ela se torna irritante, mas, por outro lado, isso humaniza ainda mais Hazel. Mas ela não é a única, Augustus Waters, o Gus, é outro personagem que fará os leitores repensarem muitos aspectos de suas vidas, cheio de metáforas e tão filosófico quanto necessita ser, John Green oferece diversão, alegria, melancolia e muita filosofia na história, através da jornada deste dois personagens. Claro, não podemos nos esquecer do câncer.
A doença ao mesmo tempo é o elo entre todos os acontecimentos do livro, salta aos olhos dos leitores a todo instante, entretanto, fica cada vez mais secundário conforme a trama se desenvolve, magistralmente, o autor consegue lhe fazer se esquecer da doença, mesmo ela estando ali, dentro dos personagens. E, no fim, lhe Green aplica um golpe fulminante, uma reviravolta surpreendente.
Na trama, Hazel Grace é uma paciente terminal que, mesmo lutando contra a doença, auxiliada pela medicina, sabe o desfecho final de sua vida. O que ela nem poderia desconfiar é que alguém entraria em sua vida para, literalmente, fazer a balança pender e mudar sua história. Augustus Waters, o garoto que toda garota quer. Eles se conhecem graças aos encontros do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer. Ambos irão completar as ausências de suas vidas em um romance inspirador, corajoso, irreverente e brutal.
John Green arrisca o final de seu livro com uma reviravolta surpreendente, o que faz a diferença, sem dúvidas. Ele consegue conduzir e alternar o tom da história de maneira natural, sem forçar a barra. Em A Culpa é das Estrelas, navegamos no cotidiano de pessoas com câncer, vemos como isso afeta todos à sua volta. A palavra que melhor pode descrever a sensação após o término do livro - tendo em mente que existem pessoas reais como Hazel e Gus - é: Inspiração. O romance é inspirador, te faz ter vontade de viver e lutar mais por seus objetivos. Este é um livro que mostra o porque da Literatura Jovem estar se expandindo para públicos distintos com tamanha eficiência.
Assim como o final de Uma Aflição Imperial, romance por qual a personagem Hazel é apaixonada, o fim de A Culpa é das Estrelas é inesperado, contudo, você já sabe qual o desfecho, foi dito desde o início, o que realmente importa é a jornada. O fim te faz sorrir enquanto lacrimeja. Faz você pensar e repensar. A história insiste em retumbar na nossa mente. Faz você querer mais. Mas satisfaz.