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Legado das Palavras: Matthew Quick

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NĂŁo Ă© segredo que amo o livro O Lado Bom da Vida, sinto o mesmo carinho pelo filme. NĂŁo importa qual seja a arte, esta histĂłria Ă© incrivelmente tocante, inspiradora e apaixonante.  Há muito tempo, desde a primeira vez em que assisti o filme e fui na primeira livraria que encontrei para comprar o livro, eu me sinto inspirado e entre muitas belas e positivas mensagens que a histĂłria nos passa, existem algumas que podemos utilizar em nossas vidas para buscarmos viver de uma maneira melhor e mais feliz.

Abaixo seguem algumas das "lições" aprendidas com o filme e o livro. Se ainda não fez, você deve assisti-lo e deve lê-lo.

1 - Excelsior

O lema usado por Pat no filme, não presente no livro, mas que contextualiza seu novo modo de viver: ser uma pessoa positiva. Confesso que nunca fui muito positivo, mas após "conhecer" Pat, aderi ao seu movimento. Talvez, tudo realmente aconteça por uma razão. Cabe a nós encontrar as lições que a vida nos ensina dia após dia. Há sempre um resquício de esperança, mesmo que você diga que não há mais esperança, no fundo, sempre existe um ponto de luz. Na pior da hipóteses, ser alguém positivo é bem mais saudável que ser alguém amargurado e negativo.
Uma das melhores falas de Pat no filme Ă©:

"VocĂŞ tem que fazer tudo o que puder, dar o seu melhor, se fizer isso e se for positivo, tem uma chance de ser feliz."

P.S: eu tenho a palavra Excelsior tatuada por conta do filme.

2 - Pratique ser gentil

Quantas vezes magoamos as pessoas por conta de expormos nossas ideias de forma direta e sem se importar que isso pode feri-la como um espada? Muitas e muitas vezes. Ser mais gentil torna o mundo ao seu redor um lugar melhor de viver, obviamente, nĂŁo devemos abandonar a razĂŁo, mas, sim, aprendermos a utiliza-la nos momentos certo.

" Você precisa saber o que é suas ações que vão fazer você uma pessoa boa, não deseja. "

Acho que essa linha do livro resume bem a mensagem. Magoar ou ser gentil? Odiar eternamente ou perdoar e seguir em frente?


3 - Nunca estamos sozinhos

Às vezes, nos sentimos solitários. Provavelmente, isso acontece, aconteceu ou irá acontecer com todas as pessoas. Acreditamos que ninguém está ao nosso lado, preparado para nos estender as mãos. Por muitas vezes pensamos estar sem ninguém para nos dar uma palavra amiga. Sofremos calado. Ninguém pode adivinhar a tempestade que habita nossas mentes, se não nos abrirmos, jamais teremos alguém para conversar sobre nosso problemas, vitórias, sonhos, enfim, sobre tudo.

Nós nunca estamos sozinhos. Nunca. Seja nossa família, amigos ou até mesmo uma pessoa que você nunca viu antes. Todos fazem parte de um mesmo lugar chamado mundo. Poucas palavras de alguém sentado ao seu lado no metrô, ou de alguém em um livraria, podem fazer o seu dia valer a pena. Podem quebrar a pseudo-solidão que insistimos em sentir.
Olhe ao seu redor. Visite seus amigos. Abrace sua família. Sorria. Socialize. Não socialize, mas não viva uma mentira, onde você está só nesse mundo. Agradeça por sempre ter pessoas próximas a nós.

Estas são as três primeiras mensagens transmitidas por O Lado Bom da Vida. Conforme eu reler o livro, buscarei destacar mais algumas dessas mensagens. Espero que gostem e aproveitem para repensar. Espero que sempre estejam bem. Até o próximo post.

O G1 publicou uma entrevista muito interessante com o escritor Matthew Quick, autor de O Lado Bom da Vida e do recente Perdão, Leonard Peacock. Confira as perguntas e respostas, se quiser ler a matéria na íntegra clique aqui.

G1 – VocĂŞ já disse que ‘toda escola tem um Leonard Peacock’. Na sua turma, era vocĂŞ quem fazia esse papel?

Matthew Quick –
 Eu nunca levaria uma arma para a escola. Nunca fui violento. Mas, em segredo, eu estava lidando com depressĂŁo e ansiedade quando era adolescente. Houve momentos nos quais eu sentia que nĂŁo tinha lugar para mim no mundo. Muitas vezes, me sentia uma aberração ou um pária, embora eu fosse realmente bom em me integrar. Minha adolescĂŞncia foi muito confusa e com bastante carga emocional.

G1 – Uma das mensagens do professor Herr Silverman em ‘PerdĂŁo, Leonard Peacock’ Ă©: ‘Ser diferente Ă© bom. Mas ser diferente Ă© difĂ­cil’. Concorda com ele?

Matthew Quick – Muito. As pessoas que tĂŞm uma visĂŁo Ăşnica do mundo nos dĂŁo arte, mĂşsica e novas ideias. Mas elas pagam um preço por serem diferentes. Ernest Hemingway, Kurt Cobain, Sylvia Plath, Martin Luther King Jr., Hunter Thompson e vários outros sĂŁo meus herĂłis, e todos eles pagaram um preço alto porque eram diferentes.
G1 – O livro pode ajudar leitores adolescentes que tĂŞm de enfrentar problemas tĂ­picos da idade?

Matthew Quick – Eu, sinceramente, espero que sim.

G1 – VocĂŞ, quando era adolescente, tinha um personagem de ficção que lhe servia de modelo?

Matthew Quick – Fui muito influenciado por Billy Pilgrim, o protagonista de “Matadouro 5”, escrito por Kurt Vonnegut. Eu nunca levaria uma arma para a escola. Nunca fui violento. Mas, em segredo, eu estava lidando com depressĂŁo e ansiedade quando era adolescente."

G1 – Se em ‘PerdĂŁo, Leonard Peacock’ seu interesse nĂŁo era explorar a violĂŞncia associada Ă s armas de fogo, qual era, entĂŁo, o ‘objetivo’?

Matthew Quick – Eu sou um escritor guiado pela voz [narrativa]. Ouço uma voz na minha cabeça e deixo que ela fale. A voz de Leonard veio atĂ© mim já completamente definida, e eu a registrei com obediĂŞncia. Se vocĂŞ fizer uma avaliação psicanalĂ­tica, vai dizer que todas essas vozes borbulham de meu subconsciente, e eu nĂŁo discordaria disso. Meu subconsciente provavelmente estava expondo muitas coisas enquanto eu escrevia este livro.
Acima de tudo, eu estava explorando a intensa solidão que alguém pode sentir quando está cercado por outras pessoas. Também estava explorando muitas questões não resolvidas que haviam sido deixadas para trás durante meus tempos de professor.

G1 – Em uma entrevista, vocĂŞ falou que ‘em toda escola há professores herĂłis ajudando anonimamente adolescentes com problemas’. VocĂŞ tentava ser esse tipo de professor?

Matthew Quick – Com certeza. Meus antigos alunos lhe diriam que Herr Silverman e eu temos muito em comum.
G1 – É verdade que já estĂŁo trabalhando na adaptação de ‘PerdĂŁo, Leonard Peacock’ para o cinema?

Matthew Quick – Sim. A Weinsten Company adquiriu os direitos do livro. James Ponsoldt está trabalhando no roteiro neste momento.

G1 – Quem vocĂŞ gostaria que estivesse no elenco?

Matthew Quick – Eu acho Dane DeHaan [o Harry Osborn de ‘O espetacular Homem-Aranha 2’] seria um Leonard fantástico. [Gostari de ver] Christoph Waltz como Herr Silverman e Philip Syemor Hoffman como Walt.

G1 – Como foi continuar escrevendo depois que ‘O lado bom da vida’ fez sucesso?
Sentiu-se pressionado para fazer um novo best-seller?
Matthew Quick – Apenas tento continuar sendo eu mesmo – e continuar contando histĂłrias que apenas eu mesmo posso contar. A escrita Ă© o lugar aonde vou para escapar de toda a pressĂŁo, hype e tudo mais. Sempre digo [para mim mesmo]: “A escrita vai lhe salvar”. E nĂŁo a publicação [do livro]. É a escrita. E, assim, prossigo encarando a página e fazendo aquilo que tenho de fazer.    
Encontrei Bradley algumas vezes. Ele foi a primeira pessoa a se apresentar para mim quando visitei o set de filmagens. Bradley foi muito gentil e sempre mencionava meu nome em entrevistas, gostei muito disso."

G1 – AlguĂ©m já explicou a vocĂŞ o significado do tĂ­tulo em portuguĂŞs de ‘O lado bom da vida’? Ele soa otimista.

Matthew Quick –
 Pelo fato de, na maioria das lĂ­nguas, nĂŁo haver uma palavra equivalente a ‘playbook’, o tĂ­tulo fica difĂ­cil de traduzir. Um ‘playbook’ se refere a futebol americano. É um livro cheio de jogadas que um time pode executar. AlĂ©m disso, um ‘silver lining’ se refere ao esboço de luz muito brilhante do sol surgindo por trás de uma nuvem, e Ă© uma metáfora para encontrar o lado bom em uma situação ruim. Esta Ă© uma expressĂŁo muito tĂ­pica da lĂ­ngua inglesa, e diversas vezes nĂŁo pode ser traduzida diretamente. Acho que Pat Peoples [protagonista da obra] gostaria muito do tĂ­tulo brasileiro do livro, porque ele está sempre tentando encontrar o lado bom da vida.  

G1 – Qual a sensação de ter um filme baseado em ‘O lado bom da vida’?

Matthew Quick –
 Surreal. Muito estranho e, ainda assim, bonito. Excitante. Gostei bastante da adaptação do David O. Russell. Mas fico com o livro. O romance Ă© minha visĂŁo. O filme dele fez muitas pessoas lerem meu trabalho e falar honestamente sobre problemas de saĂşde mental. Sou muito grato por ambas as coisas terem acontecido.
G1 – VocĂŞ chegou a se encontrar Bradley Cooper e Jennifer Lawrence?

Matthew Quick –
 Encontrei Bradley algumas vezes. Ele foi a primeira pessoa a se apresentar para mim quando visitei o set de filmagens. Bradley foi muito gentil e sempre mencionava meu nome em entrevistas, gostei muito disso. Encontrei quase todo mundo que estava envolvido com o filme, mas nunca conversei com Jennifer Lawrence.

G1 – Como foi lidar com o sucesso decorrente do Oscar?

Matthew Quick –
 Foi um pouco opressivo, em princĂ­pio. Sou muito grato por toda a atenção e pelos novos leitores. Eu sempre acreditei na histĂłria, mas tive de me beliscar quando fui para o Oscar. Foi, definitivamente, um grande momento.

G1 – VocĂŞ se incomoda quando perguntam se, em seus livros, há elementos da sua vida pessoal?

Matthew Quick –
 Eu nunca me incomodo quando as pessoas me perguntam sobre meu trabalho, embora esta seja uma pergunta difĂ­cil de se responder diretamente. Escritores de ficção fazem mentiras parecerem mais verdadeiras do que a realidade. Meus livros nĂŁo sĂŁo literalmente sobre minha vida, mas metaforicamente tĂŞm muita relação com coisas com as quais me importo ao máximo. Meus amigos e minha famĂ­lia diriam que eu estou em cada página dos meus livros. Quero crer que queiram dizer isto: meus livros sĂŁo uma representação autĂŞntica de quem eu sou, ainda que metaforicamente.

G1 – Algum episĂłdio, em particular, inspirou vocĂŞ a escrever ‘O lado bom da vida’?

Matthew Quick –
 Fazia quase trĂŞs anos que eu estava escrevendo sem ganhar nada por isso, e estava começando a achar que nunca publicaria. Um dia, saĂ­ para uma corrida. Era uma tarde fria de inverno. Muito cinza e sombria. Na metade do percurso, olhei para cima e havia uma nuvem ‘desenhada em seu contorno’ pela luz do sol, que estava escondido atrás dela. Era tĂŁo lindo.
Eu pensei: e se isto for um presságio? E se ver esta beleza significa que vou reproduzi-la como escritor de ficção? Imediatamente, comecei a censurar a mim mesmo por causa daquele pensamento mágico. Mas então eu pensei: e se eu me permitisse acreditar que foi um sinal? E se essa crença me desse esperança suficiente para continuar escrevendo? Em seguida, pensei: e se eu tivesse um personagem que acreditasse que ver nuvens delineadas pelo sol significava que a vida dele estaria ok? E se meu personagem usasse esse pensamento delirante como motivação para superar momentos difíceis? Quando terminei minha corrida, comecei a escrever imediatamente.
G1 – Por que escrever sobre uma doença mental? Fez algum tipo de pesquisa, conversou com pessoas com transtorno bipolar severo?

Matthew Quick –
 NĂŁo estou certo de que alguma vez tenha decidido escrever sobre doença mental. Mas meus personagens acabam tendo vários problemas de saĂşde mental. Acredito que romancistas escrevem sobre as coisas que mais lhes importam. Trabalhei numa unidade de internação neurolĂłgica, primeiramente com pessoas que tinham sofrido lesões cerebrais traumáticas. TambĂ©m trabalhei com adolescentes que tinham sido diagnosticados com autismo severo. Aconselhei adolescentes problemáticos quando eu dava aulas. Muitos estavam sofrendo de depressĂŁo. E tambĂ©m conheço, intimamente, os altos e baixos da vida. Eu enfrentei depressĂŁo e ansiedade por muitos anos.


 
Matthew Quick autor de O Lado Bom da Vida está prestes a lançar, simultaneamente no Brasil e EUA, seu novo livro: PerdĂŁo, Leonard Peacock, novamente pela editora IntrĂ­nseca. Nesta nova obra o autor estimula  e explora temas como violĂŞncia e bullying. É difĂ­cil nĂŁo esperar um livro melhor que O Lado Bom da Vida - embora seja difĂ­cil isso ocorrer. O tema Ă© excelente, principalmente por estar em alta nos dias atuais. Confira a sinopse:

Em Perdão, Leonard Peacock, Leonard planeja comemorar seu 18º aniversário usando uma P-38 que foi do avô, a pistola do Reich, para matar seu ex-melhor amigo e depois se suicidar. Antes, porém, ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor de alemão que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto e que desempenha um papel crucial na vida de Leonard quando o jovem se aproxima do que pode vir a ser o seu ato final.

Assim como Leonard Peacock escolhe com cuidado a quem confiar seus segredos, Herr Silverman deve decidir o que está disposto a fazer para ajudar um aluno com sĂ©rios problemas. E como o professor vem a descobrir, esse desafio traz consigo uma sĂ©rie de questões Ă©ticas para as quais nĂŁo há respostas simples, como explica Quick em entrevista ao site Book Page: “Quando vocĂŞ tem que corrigir oitenta dissertações de alunos tentando entrar em Harvard e um estudante chega atĂ© vocĂŞ em crise, chorando, o que vocĂŞ escolhe? VocĂŞ conforta o garoto ou avalia os trabalhos? Ou vocĂŞ conforta o garoto e corrige as dissertações e diz a sua esposa que nĂŁo poderá sair naquele fim de semana? Eu queria construir essa relação como algo desafiador. Qual Ă© o momento de quebrar esses limites, jogar fora das regras? AtĂ© onde o professor vai?”

Outro autor que terá lançamento neste mês de Agosto será John Green, autor do belo A Culpa é das Estrelas. O novo lançamento da Intrínseca chama-se Cidades de Papel. Este romance não parece ser capaz de superar A Culpa é das Estrelas, mas, certamente, torcerei para que me surpreenda. Confira a sinopse:

Em Cidades de papel, Quentin Jacobsen tem uma paixão platônica pela magnífica vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman. Até que em um cinco de maio que poderia ter sido outro dia qualquer, ela invade sua vida pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita.

Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola e então descobre que o paradeiro da sempre enigmática Margo é agora um mistério. No entanto, ele logo encontra pistas e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele achava que conhecia.

Ansiosos?


Olá, leitores do Legado das Palavras!

É com imensurável prazer que trago até vocês a resenha de um dos livros que mais mexeram comigo nesses últimos tempos. Uma história poderosa que me fez rever o meu modo de vida e, principalmente, acreditar mais em coisas boas - ao menos trabalhar em prol delas.
A obra em questĂŁo Ă© O Lado Bom da Vida, do autor Matthew Quick. Como alguns de vocĂŞs devem saber, o livro ganhou uma adaptação cinematográfica recentemente, um filme incrĂ­vel, ainda que nĂŁo seja uma adaptação fiel Ă© excelente. E foi no cinema que tive o primeiro contato com a obra. Assim que o filme acabou eu pensei: “Ual! Preciso ler o livro!”, assim fui direto Ă  livraria e adquiri a obra. O livro foi lançado aqui pela editora IntrĂ­nseca.

Pat Peoples, ex-professor, se vĂŞ internado em uma instituição psiquiátrica. Para ele, a internação no “lugar ruim” durou apenas alguns. Ele nĂŁo se lembra do motivo de ter ido para lá. Pat consegue se lembrar apenas da esposa, Nikki, pedir para que ficassem “um tempo separados”. Seu pai se recusa a conversar, a esposa nega encontra-lo e os amigos evitam comentar os motivos de sua internação. Determinado a reconquistar tudo o que perdeu Pat decide levar uma nova vida, ele deseja reconquistar sua esposa, praticar ser gentil e atravĂ©s de muita malhação obter um Ăłtimo estado fĂ­sico. Determinado ele acaba por conhecer uma pessoa que realmente fará a diferença em sua vida: Tiffany, uma mulher que tambĂ©m tem os seus problemas pessoais e ao seu modo ajudará Pat a enxergar a verdade e dar outros rumos Ă  sua vida, afinal, ele acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

Concordo que a leitura do livro tem momentos que torna-se um pouco cansativa e repetitiva, mas isso pode ser superado com um pouco de persistência aliado a compreensão da história. O enredo traz a perspectiva de alguém que busca reconstruir sua vida sem saber de seu passado recente. Quantas pessoas não desejam apagar suas lembranças ruins e recomeçar? Muitas. É emocionante acompanhar o desenvolvimento e as descobertas que Pat faz ao longo da história, ainda mais comovente são suas divagações sobre tudo que o envolve.

A escrita de Quick faz muitos contornos antes de chegar ao ponto principal, mas isso não é totalmente ruim, afinal, muitos destes contornos transportam o leitor à uma variedade de cenas cômicas e dramáticas, praticamente seguidas, a alternância destes gêneros e notável e bem construída.

Nem todos os personagens possuem seu espaço e tem um bom desenvolvimento, além de Pat e Tiffany, protagonistas, temos a mãe de Pat, Dolores. Mas, como um contrapeso, eles são bem construídos, tanto suas personalidades problemáticas quanto a descrição de seus sentimentos crescentes.

Para nós, brasileiros, que não estamos tão acostumados com o futebol americano, esporte abordado demasiadamente no livro, talvez a leitura possa incomodar - no meu caso não chegou a incomodar, mas é notável o excesso - muitas situações estão ligadas a paixão e a devoção entre os fãs e o esporte. Admito que no momento estou assistindo a série Friday Night Lights, e por isso me identifiquei muito com essa situação no livro e não achei cansativa, ao contrário achei uma curiosidade legal entender como é o fanatismo pelo esporte.

O livro comove com as palavras usadas para dar vida a Pat, sua maneira de enxergar a “nova vida”, o modo dele aceitar situações inusitadas para contribuir com o “roteiro do filme da sua vida” para que este possa ter um final feliz Ă© belo. A mensagem de que, Ă s vezes, todos precisamos de uma amizade sincera Ă© muito importante. AlĂ©m de citar o grande nome da literatura, Hemingway, e, por que nĂŁo acreditar que Quick tenta aproximar as obras deste autor para uma nova geração?

O Lado Bom da Vida tem suas falhas e escorregadas, poderia ser ainda melhor do que é, mas mesmo assim, caiu no meu gosto e me fez refletir sobre coisas boas, além da vontade de ler Hemingway, isso, por si só, já são coisas boas. Obras assim provavelmente não se tornarão fenômenos, mas são essenciais para ajudar a compreendermos a vida e algumas questões que envolvem ela, tal como perdoar, aceitar as diferenças, oferecer auxílio e acreditar...
...No lado bom da vida.