Começarei com uma confissĂŁo: A Culpa Ă© das Estrelas nĂŁo Ă© meu livro favorito do escritor John Green. Contudo, gostei da histĂłria, talvez seja um pouco superestimado por algumas pessoas. Talvez nĂŁo. O fato Ă© que se tornou um fenĂ´meno – e nĂŁo sĂł de vendas - muito comentado e indicado, a histĂłria de Hazel e Gus eclodiu entre os jovens e nĂŁo parou apenas neles. A adaptação do livro de Green estreou nos cinemas na Ăşltima quinta-feira e eu fui conferir.
O cinema estava cheio. Pessoas
saĂam das salas com os olhos marejados e avermelhados. Outras pessoas choravam
copiosamente. Respirei fundo e pensei “vamos
lá!”.
Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) Ă© paciente terminal
que, mesmo lutando contra a doença, auxiliada pela medicina, compreende que o
desfecho de sua vida pode acontecer repentinamente. Solitária e conformada, ela
sequer imaginaria conhecer alguĂ©m que mudaria sua histĂłria. AlguĂ©m inesquecĂvel. Augustus Waters (Ansel Elgort), o desejo de toda garota.
Hazel e Gus se conhecem graças aos encontros do Grupo de Apoio a Crianças com
Câncer, completando as ausências de suas vidas em um romance inspirador,
irreverente e melancĂłlico.
A
Culpa Ă© das Estrelas chega com aquele sabor de uma Ăłtima
adaptação para os fĂŁs, capaz (e muito!) de agregar ainda mais admiradores Ă
história, mesmo que desconheçam o livro. Os roteiristas Scott Neustadter e Michael
H. Weber (que também escreveram 500
Dias Com Ela), conseguiram transpor toda essĂŞncia do livro Ă s telas de
cinema, capturaram o que tinha de melhor e exploraram da melhor maneira
possĂvel. Os diálogos sĂŁo totalmente fieis Ă obra original, embora sejam
grandiloquentes, atravĂ©s das atuações – principalmente da Shailene e Ansel - torna-se
verossĂmil, delicados e cheios de emoção. O diretor Josh Boone (do Ăłtimo, Ligados
Pelo Amor) conduz o filme com uma narrativa simples, ciente que a queda ao
clichĂŞ Ă© possĂvel, consegue tirar a atenção do casal e do romance, utilizando
muito bem a mĂŁe de Hazel, interpretada por Laura
Dern, e o escritor pé-no-saco, vivido por Willem Dafoe. Utilizando tais personagens para explorar outros
sentimentos em Hazel, tira o foco do romance, sem cansar o pĂşblico. Quanto Ă
trilha sonora melancĂłlica, ainda que Ăłtima, Ă© um pouco apelativa, e embalada a
tristeza dos personagens e da histĂłria em todos os momentos.
O filme me surpreendeu.
Assim como o livro, vai além do romance barato entre pessoas com câncer. A
morte Ă© martelada a todo instante, a tristeza impregnada nĂŁo consegue aflorar,
soterrada com as aventuras daquelas duas vidas entrelaçadas. Não é apelativo,
porĂ©m consegue comover (em quase toda a projeção foi possĂvel ouvir sniff! sniff!), o drama Ă© bem explorado
e o que dá o peso e a coesão necessária para não ser algo maçante e apelativo
sĂŁo os atores.
Shailene Woodley (Divergente) e Ansel Elgort (Carrie) possuem uma quĂmica incrĂvel entre eles, as atuações sĂŁo
carregadas, poderosas. Shailene consegue encarnar perfeitamente a Hazel
carismática, amorosa e chata! Ansel, por sua vez, com seus trejeitos, seu jeito
de olhar, o modo como sorri, faz os corações palpitarem mais forte e a carga
dramática que ele emprega no personagem numa devida parte do filme Ă© incrĂvel.
Desde o primeiro instante quando se encontram, nasce uma grande empatia pelo
casal que no decorrer da histĂłria sĂł aumenta. VocĂŞ sabe, sente, busca se
preparar, quer evitar, mas para muitos as lágrimas são quase inevitáveis
(fiquei com um cisco no olho me irritando). O filme prepara, entrega o que
acontecerá, e, ainda assim, o golpe é doloroso e emocionante. Laura Dern e
Dafoe surgem muito bem em cena com atuações bastante consistentes, assim como Nat Wolff.
O filme traz as
mensagens e metáforas escritas por Green. É sutil, delicado. Apresenta muito
mais que um amor com o fim determinado, assim como o livro. Cria uma forte
empatia rapidamente, logo nos primeiros minutos. Eu temia que a adaptação não
ficasse tĂŁo boa, me surpreendi, por fim, acabei achando ainda melhor que o
livro. É um dos grandes filmes do ano e a melhor surpresa até agora.

