Image Map
Legado das Palavras: Resenhas

Recentes

Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens

Estampado, na capa de O Vilarejo, novo livro de Raphael Montes, a declaração da atriz Fernanda Torres diz: “Raphael cria uma seleção de histĂłrias macabras digna dos melhores contos dos IrmĂŁos Grimm, sem deixar nada a dever a Stephen King.” Obviamente, fiquei contente por ver um autor nacional comparado ao famigerado King. Ainda que nĂŁo tivesse abraçado a causa, essas palavras me venderam o livro, e eu enfim pude ler algo do Montes, um autor em ascensĂŁo cujo nome já li bastante pela internet.
Ao contrário da declaração de capa, o livro deve algo para alcançar a melhor fase de Stephen King, sim. Por outro lado, bate de frente com algumas das obras do referido autor. No entanto, isso nĂŁo diz nada sobre a qualidade de O Vilarejo. Comparar autores Ă© sempre uma grande bobagem, e que acaba gerando bastante discussĂŁo — mas vende o livro (vendeu para mim).
Em relação aos contos que são apresentados, é um livro excelente. Terror, suspense, agonia, sangue e violência muito bem dosados e conduzidos pelo autor. Quando digo dosado, não quero dizer para menos. Não. As histórias despertaram em mim pura repulsa e estupefação, ante dos fatos narrados.
Baseado na teoria de Peter Binsfeld, padre e demonologista, lançada  em 1589, que cada pecado capital Ă© interligado a um demĂ´nio, Montes encontrou aĂ­ o guiĂŁo para a construção do livro. Cada uma das sete histĂłrias apresentadas representa um demĂ´nio/pecado capital. Elas sĂŁo interligadas pelo vilarejo e seus personagens, o que o torna mais que um livro de contos, dando para a obra a alcunha de fix up, caso tambĂ©m do King Edgar Hotel. 
No centro da histĂłria, tal vilarejo acaba isolado do restante do mundo, no vale onde Ă© situado, apĂłs o rebento de uma guerra civil no paĂ­s e a intempĂ©rie da neve. Ali os personagens passam fome e algumas outras dificuldades excruciantes, trazendo a tona aspectos brutais e monstruosos da psique humana.
Avaliando de forma geral, gostei bastante do livro. Mas tambĂ©m apreciei mais umas histĂłrias do que outras. Destaco aqui a primeira e a Ăşltima. O inĂ­cio, dado pelo prefácio (vou chegar nele), e seguido pelo conto Banquete Para Anatole, mostram o que vocĂŞ enfrentará nas prĂłximas páginas. É de revirar o estĂ´mago. O Ăşltimo, Um Homem de Muitos Nomes¸ trouxe-me, o que atĂ© entĂŁo nĂŁo havia tido na leitura, aquele momento em que parei e pensei meus sinceros parabĂ©ns, Montes. Outros dois trechos que me fizeram ter esse pensamento foram o prefácio e o posfácio. Eles sĂŁo as cerejas do bolo. DĂŁo o toque de genialidade do livro.
Completando um trabalho interessante, e até mesmo com sua singularidade na literatura nacional, há também as ilustrações produzidas por Marcelo Damm. Impecáveis e perturbadoras, na exata proporção dos contos.

O Vilarejo foi lançado nesse ano de 2015, pela Suma das Letras. A mesma casa de Stephen King. Melhor que comparar se de fato as histĂłrias de Montes devem ou nĂŁo algo em relação Ă s do King, Ă© pode ler um trabalho bonito como esse, e sentir que o terror nacional está bem representado. É uma obra curta e de leitura rápida. Como AndrĂ© Vianco disse: “...Ă© um livro para ler numa sentada sĂł...”. Concordo. O ritmo da narrativa flui e praticamente te obriga a chegar ao recompensador final. 
Esse foi o primeiro livro de Raphael Montes lido por mim. Certamente será o que indicarei, quando me perguntarem algo sobre o autor. NĂŁo Ă© sua estreia, mas o apresenta bem ao pĂşblico. Agora, com licença, pois vou atrás dos demais livros de Raphael Montes.  


Olá, leitores e leitoras do Legado das Palavras! 

Comecei minha jornada entre os grandes clássicos da literatura mundial, a primeira obra escolhida para leitura foi A Metamorfose (Die Verwandlung em alemĂŁo) do escritor Franz Kafka. Publicada pela primeira vez em meados de 1915, a edição que possui, foi publicada pela editora Companhia das Letras e possuĂ­ 96 páginas. Embora nĂŁo seja sua obra-prima, tornou-se o escrito mais conhecido, difundido e estudado do autor. E, pasme, a obra foi escrita em apenas 20 dias.

A Metamorfose, numa primeira impressĂŁo ou quando vocĂŞ conta a sinopse para um amigo, pode parecer algo burlesco. Confesso que atĂ© mesmo eu, antes de ler, tinha alguma dĂşvida sobre a qualidade do texto, contudo, ao finalizar a leitura nĂŁo consegui deixar de pensar nas mensagens de solidĂŁo, amor, afeto, atĂ© mesmo algo sobre desânimo em relação a vida e, principalmente, sobre fazer o que nĂŁo deseja estar fazendo. Trabalhar em algo que nĂŁo Ă© verdadeiramente o que se deseja. 

Kafka mostra o que realmente é ser solitário, mesmo estando cercado de pessoas. Também nos mostra como as pessoas geralmente abnegam de muitas coisas em prol daquelas a quem ama. Essas mensagens são mostradas no melhor estilo "show, don't tell" (mostre, não conte), narradas sob a perspectiva de Gregor, um homem que repentinamente vê sua vida totalmente transformada, quando em uma manhã, ao acordar, descobre estar transmutado num inseto monstruoso. Através de metáforas, Kafka, consegue contextualizar alguns dramas da sociedade - que muitas vezes, não enxergamos.

A Metamorfose tambĂ©m faz algumas alusões em relação as fraquezas humanas ante a pressĂŁo social, isso fica claramente exposto, como já observado por muitas pessoas que leram a obra, quando Gregor tenta realizar ações rotineiras como caminhar e descer da cama. Isso Ă© uma alusĂŁo a como a sociedade restringe as pessoas, pelo que ela produz e por sua aparĂŞncia. A busca por adequação e o amor servil, acabam trazendo a Gregor - e a todos nĂłs de certa forma - exatamente o oposto que ele busca. Atrapalha seu trabalho e sua famĂ­lia. A solidĂŁo, incompreensĂŁo do mundo e tristeza resultantes da dessa busca por adquação Ă  sociedade, cria uma processo de animalização. Talvez, seja isso que Kafka queira nos dizer. ApĂłs muito ler e pesquisar sobre a obra, acho que Ă© exatamente isso. 

Olá, leitores do Legado das Palavras!
Em 2012 assisti ao filme As Vantagens de Ser InvisĂ­vel que figurou, certamente, em um dos melhores filmes lançados no ano. Conferir o filme me impulsionou a partir em busca do livro, afinal, alĂ©m das Ăłtimas atuações e da trilha sonora, o filme possui uma histĂłria linda. Publicado pela editora Rocco, o livro do escritor – tambĂ©m diretor e roteirista da adaptação cinematográfica – Stephen Chbosky possui 223 páginas.
As Vantagens de Ser Invisível é um romance epistolar, ou seja: é totalmente narrado através de cartas, embora existam outras formas de desenvolver, como notícias de jornais ou diários, mas este não é o caso. O livro apresenta as cartas escritas pelo jovem apelidado de Charlie a um destinatário incógnito, o leitor, onde narra os acontecimentos de sua vida atual: o verdadeiro deságio que é o início do ensino secundário, a superação do suicídio de seu melhor amigo, meses atrás, e um grave trauma de infância. Entre os temas abordados podemos destacar a sexualidade, o uso de drogas, introversão, além de estampar a importância de amizades em nossas vidas.
Chbosky narra a vida de Charlie com extrema sensibilidade, logo nas primeiras páginas fica difícil não se identificar com o protagonista, muitos já enfrentaram alguns de seus medos e também tiveram as mesmas dúvidas. O autor buscou inspiração em sua própria vida para criar alguns personagens e dar mais veracidade à trama. O livro trata com naturalidade alguns temas polêmicos como a descoberta e o uso de drogas por conta de Charlie, outro tema importante é a abordagem de uma relação homoafetiva, muito bem retratada, que ajuda a expandir horizontes e quebrar paradigmas.
A escrita de Stephen Chbosky nĂŁo apresenta genialidade, ou apresenta, depende de como vocĂŞ analisar. Ela nĂŁo Ă© difĂ­cil, clássica e muito descritiva, entretanto, vale lembrar que estamos lendo “cartas” de um jovem do ensino mĂ©dio, cujo Ă  paixĂŁo pela literatura e o dom para escrita Ă© bem demonstrado, logo, temos uma narrativa a altura do personagem, o que faz nos identificarmos ainda mais com Charlie.
A obra possui muitas inspirações, um delas Ă© o escritor Stephen King. Segundo Chbosky seu livro possui muito de algumas obras do mestre do terror, livros Carrie e O Iluminado, alĂ©m do conto, Conta Comigo. FĂŁ confesso do escritor vale citar o que Chbosky disse em uma entrevista, ele acredita que King seja “o maior contador de histĂłrias de todos os tempos”. O livro tambĂ©m apresenta uma vasta lista de referĂŞncias musicais – aliás, o ditado “sexo, drogas e rock’n roll” se encaixa perfeitamente aqui e chega atĂ© mesmo soar de forma poĂ©tica -, algumas das bandas citadas sĂŁo: Nirvana, Beatles, Pink Floyd e, claro, The Smiths com a mĂşsica Asleep (favorita de Charlie). Outras Ăłtimas referĂŞncias sĂŁo as literárias, Bill, professor de Charlie, o estimula atravĂ©s da leitura e indica grandes obras da literatura como: Uma Ilha de Paz (John Knowles), Walden (H.D. Thoreau), O Sol Ă© para Todos (Harper Lee), O Grande Gatsby (F. Scott Fitzgerald), Peter Pan (J. M. Barrie) A Nascente (Ayn Rand), Hamlet (William Shakespeare), Almoço Nu (William S. Burroughs), Este Lado do ParaĂ­so (F. Scott Fitzgerald), On The Road/PĂ© na Estrada (Jack Kerouac), O Estrangeiro (Albert Camus) e O Apanhador do Campo de Centeio (J.D. Salinger).
Não quero entrar muito na história por achar que ela é sensível demais e qualquer mínimo spoiler pode vir a comprometer a leitura, contudo, esta é uma obra recomendada, onde é praticamente impossível não se identificar com alguns dos personagens ou com o que estão vivendo. A sutileza da história nos faz refletir acerca de alguns aspectos, como a amizade, por exemplo. A leitura é indispensável, mesmo a adaptação cinematográfica sendo extremamente fiel e tão boa quanto o livro.
 Olá, leitores do Legado das Palavras! (Resenha publicada originalmente no blog Resenhas de Uma Leitora).

Existe um ditado que diz: “Filho de peixe, peixinho Ă©”. Baseado nisso, podemos concluir que muitos filhos seguem a mesma carreira do pai, alguns obtĂŞm mais sucesso outros menos, no entanto, nĂŁo Ă© isso o que importa. Neste caso, finalmente tive coragem de tirar o livro O Pacto da prateleira e ler, o autor talvez ainda seja pouco conhecido, seu pseudĂ´nimo Ă© Joe Hill e seu nome Ă© Joe Hillstrom King. Ele nĂŁo Ă© ninguĂ©m menos que filho de um dos maiores escritores de todos os tempos: Stephen King, o mestre do terror e suspense.
Particularmente, achei uma ótima ideia Joe Hill não ter usado o sobrenome do pai e querer caminhar com suas próprias pernas. Contudo, é inegável o dom que Hill possui para a escrita, O Pacto, lançado originalmente em 2010 e publicado neste mesmo ano no Brasil pela editora Sextante, é uma das obras mais reflexivas que li nos últimos meses.
O protagonista, Ignatius Perrish – ou simplesmente Ig –, possuĂ­a uma famĂ­lia unida e feliz, alĂ©m de ter encontrado o grande amor de sua vida, ainda na adolescĂŞncia, Merrin Williams. Contudo, no Ăşltimo sua vida mudara completamente de direção, apĂłs o brutal assassinato de Merrin, no qual ele era o principal suspeito, apesar de nĂŁo haver provas que o incriminassem, nĂŁo havia nenhuma que o inocentasse.  
A narrativa inicia-se em meio a esse inferno pessoal, quando Ig ao acordar, após uma noite de insana bebedeira, percebe que um par de chifres nasceu em suas têmporas. Ao contrário do que julgou primariamente, as pessoas não reagem com espanto ao vê-lo, elas são impelidas a revelar seus maiores e mais secretos pecados. Assustado ele descobre os horríveis segredos de todos a sua volta nem mesmo o padre e seus pais estão livres de seu poder. E todos eles o odeiam. O golpe mais doloroso vem quando ele descobre que seu irmão, tão próximo e querido, sempre soube quem era o verdadeiro assassino de Merrin e nunca lhe contou nada. Até ver os chifres. Ig parte em uma busca desenfreada pela verdade, cada vez mais dolorosa e solitária.


Quando as pessoas que vocĂŞ ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo nĂŁo Ă© tĂŁo mau assim.


Imagine as pessoas que tanto amamos nos virarem as costas e por trás de sorrisos falsos e mentiras secas, nutrirem sentimentos assombrosos sobre nĂłs. A obra transita entre amor e desgraça numa escala babilĂ´nica, suas metáforas enriquecem cada vez mais a leitura e acabam por torna-la irresistĂ­vel. A cada página lida e a cada mistĂ©rio solucionado, o leitor irá se sentir impelido a nĂŁo abandonar o livro. Hill escreve sobre o diabo, mas expressa muito mais os demĂ´nios que – nĂłs humanos – podemos conter em nossos interiores.
Amor, traição, vingança, dor, tragédia e felicidade, são explorados com ardor pelo autor. Joe Hill emociona e faz rolar lágrimas em diversos trechos deste livro, transmitindo mensagens importantíssimas como perdão, amizade, confiança, entre outras. Sua narrativa excelentemente bem construída nos faz refletir sobre a maldade e os atos impensados, impulsivos, além de deixar algumas questões retumbando em nossas mentes: Seria o homem o seu próprio diabo? Ou Seria o homem pior que o diabo?
Hill utiliza-se de uma narrativa não linear, ora narra o presente, ora o passado, fato essencial para a construção de cada um dos personagens, ele os transporta desde o primeiro contato até, bem, o último, em alguns casos. O escritor consegue com grande êxito explicitar os sentimentos de Ig, sua dor, seus pensamentos, suas atitudes mal pensadas. Aqui, nós simpatizamos com o pobre diabo. Obviamente, pelo tema, ele menciona e questiona em muitos trechos a fé e religiosidade, talvez, esta não seja a obra ideal para quem não tem uma mente aberta e sempre disposta a ler outros pensamentos ou para quem tem uma fé abalada e possua medo de algo destruí-la.
 Ou, talvez, seja ideal para estas pessoas. O fato Ă© que o livro nĂŁo se prende a este tema, ele se importa mais com a humanidade que com as crenças de cada um.
Joe Hill surge como um dos mais brilhantes escritores de ficção fantástica, não é para menos, afinal, O Pacto é uma história sobre a profundidade negra de nosso interior humano, nossos pensamentos nefastos e atitudes grotescas. Recomendo este livro com a mesma intensidade que recomendo Sangue Quente. São duas histórias altamente fantasiosas, mas que, através da ficção, transmitem valores e agregam pensamentos que merecem ser levados adiante.
Leia O Pacto.
E prepare-se, uma adaptação cinematográfica foi confirmada e o protagonista será "apenas" o astro de Harry Potter, Daniel Radcliffe.


Olá, leitores do Legado das Palavras. Espero que todos estejam bem. Hoje, mais uma vez, vou comentar sobre um livro do autor André Vianco. A obra escolhida da vez é O Caso Laura, seu primeiro romance policial, após uma longa jornada em cenários sobrenaturais. Se quiser você pode conferir as resenhas de Os Sete e O Caminho do Poço das Lágrimas. O Caso Laura foi publicado pela Rocco, possuí 272 páginas e foi lançado no ano de 2011. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.

A histĂłria apresenta Laura, uma mulher que sofre demasiadamente com as diversas experiĂŞncias negativas em sua vida, como por exemplo a perda de um ente querido, o divĂłrcio em consequĂŞncia a tal perda e, alĂ©m disso, o pai que encontra-se em estado de coma. Claramente depressiva, ela carrega consigo as marcas da doença em sua prĂłpria pele; as cicatrizes em seus pulsos entregam sua tentativa de suicĂ­dio, sem ĂŞxito. Apesar de se mostrar uma pessoa equilibrada, Laura está muito prĂłxima de cometer o ato novamente, entretanto, ela vem sendo tranquilizada pelas conversas diárias com Miguel, um amigo misterioso que se encontra com ela em uma praça, dando-lhe conforto com seus conselhos. Nesse meio tempo, o detetive Marcel Ă© contratado por uma pessoa incĂłgnita. O preço? Muito alĂ©m do que seus serviços valem. O serviço? Investigar o misterioso amigo de Laura. Imerso na investigação Marcel descobre algo que o intriga, várias pessoas misteriosas ao longo de suas investigações possuem algo em comum: o sĂ­mbolo do infinito, seja em algum objeto ou atĂ© mesmo em forma de tatuagem. Isso o intriga e lhe preenche a mente com questões como: Quem Ă© Miguel? Quem Ă© o contrante de Marcel? O que significa o sĂ­mbolo do infinito para aquelas pessoas? 

Mas, claro, as respostas, somente lendo para descobrir. Garanto que nĂŁo irĂŁo se arrepender. O livro outros personagens na histĂłria que fogem deste nĂşcleo citado,  e eles sĂŁo bem desenvolvidos, se interligando ao nĂşcleo principal, colaborando para que a trama seja conduzida de forma empolgante e fazendo com que ela mantenha o suspese. No decorrer das páginas encontramos ação, drama e suspense, aplicados ao enredo excelentemente bem. Muitas pessoas ficaram com o pĂ© atrás, na Ă©poca do lançamento - ao que notei -, pelo fato de ser um livro policial e nĂŁo de terror/sobrenatural, normalmente escrito por Vianco. Bem, posso apostar que muitos queimaram as lĂ­nguas. A histĂłria vai te deixando cada vez mais ansioso pelo desfecho final que, sim, Ă© surpreendente. Um investigação que leva o leitor a lugares claustrofĂłbicos e, talvezm, Ă  uma compreensĂŁo de sentimentos acerca de famĂ­lia, alĂ©m de uma histĂłria sobre depressĂŁo profunda, esperança e superação da doença. Sem dĂşvidas, mais uma obra de AndrĂ© Vianco recomendadissĂ­ma.


Olá, leitores do Legado das Palavras. Hoje vou falar sobre um excelente livro chamado A Cabana  (The Shack), do autor Willian P. Young, foi publicado em 2007, mas chegou no Brasil em 2008 pela editora Sextante. Uma histĂłria repleta de fĂ©, crença, descrença, assassinato e muita emoção. EntĂŁo, sem mais delongas, vamos ao que interessa.

 "Se Deus Ă© tĂŁo poderoso, por que nĂŁo faz nada para amenizar o nosso sofrimento?"

Mack Allen Phillips se faz essa pergunta quando, repentinamente, sua vida tornou-se algo doloroso e solitário no momento em que uma de suas filhas, a caçula Missy, Ă© sequestrada durante um passeio em que ele havia levado as crianças. Há uma chocante suspeita que ela tenha sido brutalmente assassinada, onde fora encontrado seu vestido ensanguentado e rasgado. A garotinha nĂŁo Ă© encontrada, nem ao menos o corpo para que se possa ter certeza do que ocorreu. Transcorrem trĂŞs longos anos e meio, tempo esse que submergiu Mack em uma dor e culpa tĂŁo profundas - batizadas de Grande Tristeza - fazendo-o chegar ao ponto de se revoltar com Deus. Um dia, contudo, ele recebe inesperadamente um bilhete em sua caixa de correio, aparentemente assinado por Deus, convidando-o para retornar a cabana por um fim de semana. Como pode um homem que se culpa por tal acontecimento retornar ao local  onde residem seus piores medos, lembranças e pesadelos? - o suposto assassinato de sua pequena garota, o assassino impune, a culpa que o consome o seu ser por acreditar que jamais deveria ter saĂ­do de perto dela.

O arco principal da histĂłria nĂŁo se fecha exclusivamente num pai que toma para si a culpa pelo assassinato da filha, mas, tambĂ©m, transcorre em seu retorno a cabana e seu inesperado encontro com a SantĂ­ssima Trindade. Neste momento, Mack levanta todas as suas dĂşvidas e golpeia-os com sua avalanche de questionamentos, acerca da morte de Missy. O histĂłria segue um rumo comovente quando a SantĂ­ssima Trindade está disposta a ajudar o pai aflito a entender porque as coisas aconteceram daquela forma, e, especialmente, porque Deus nĂŁo interferiu na morte de sua pequena Missy.  Deus, Jesus e o EspĂ­rito Santo sĂŁo apresentados de uma forma totalmente disforme de como Ă© pregado que sejam, e este Ă© um dos pontos fortes da histĂłria do autor Willian P. Young; como se ele houvesse mudado a capa de um álbum musical adorado por muitos, mas sem abalar o conteĂşdo das mĂşsicas. 

O livro desperta muitos sentimentos no leitor, nĂŁo sendo raro que ele chegue atĂ© a abandonar a leitura, que alĂ©m de massiva, causa uma certa revolta, embora atĂ© certa parte. O final digo Ă© magistral, confuso, surpreendente, Ă© um verdadeiro turbilhĂŁo de sensações que irĂŁo deixar o leitor absorto em pensamentos.  

Pontos fortes: A profundidade da histĂłria - sim, qualquer pai teria feito o mesmo que Mack? Mesmo com a presença de Deus? Independentemente da sua religiĂŁo, a crença e fĂ© do livro resulta numa histĂłria comovente. 

Pontos fracos: Leitura extremamente massiva, pesada, cansativa. Apesar de suas 232 páginas, leia o livro apenas se estiver com algum interesse na histĂłria - como eu estive -, e nĂŁo feche sua mente aos acontecimentos do livros, caso contrário nĂŁo passará da metade de leitura. 

Apesar de algo negativo na resenha, a intenção das minhas resenhas Ă© apenas difundir obras nas quais eu tenha gostado. PorĂ©m, como dito acima, nĂŁo vou recomendar para que leiam ou nĂŁo, a vontade desta leitura tem que ser desperta em vocĂŞs de forma natural, e nĂŁo simplesmente pegar o livro e tentar atravessar suas páginas apenas.  

"...Todos nĂłs, falhos, que acreditamos que o amor governa. Levantemo-nos e deixemos que ele brilhe." 
Olá, leitores do Legado das Palavras.
Mais uma resenha no blog. Hoje comentarei sobre o surpreendente livro O Inverno das Fadas da autora Carolina MunhĂłz. O livro possui 304 páginas, lançado pela editora Fantasy - Casa da Palavra. Conheci o livro pela forte divulgação feita na internet e, apesar de ter gostado da capa, nĂŁo me chamou a atenção numa primeira avaliação. Contudo um dia estava em uma livraria e eis que me encontro com o livro, abri e resolvi espantar a curiosidade, folhei algumas páginas, li alguns parágrafos. E entĂŁo achei fascinante e diferente. Embora o que realmente tenha me chamado a atenção tenha sido a lista de mĂşsicas, que trazem os nomes dos capĂ­tulos, existente no final do livro. Muitas mĂşsicas do meu gosto pessoal, entĂŁo comprei, li e achei incrĂ­vel. Mais uma representante da literatura de fantasia nacional.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Olá, Hoje vou comentar sobre o livro O Caçador de ApĂłstolos, quarto romance do escritor Leonel Caldela - ou o Bernard Cornwell brasileiro - que traz  tem no curriculum a Trilogia Tormenta. Caldela sem dĂşvidas presenteou os RPGistas de plantĂŁo com os livros O Inimigo do Mundo, O Crânio e o Corvo e O Terceiro Deus, trilogia baseada no cenário de RPG Tormenta. Embora a trilogia seja fantástica, ela despertou a curiosidade de ver o autor escrever uma histĂłria em um cenário criado por ele, e isso foi feito, saciando nossos desejos, em O Caçador de ApĂłstolos. O livro foi publicado pela editora JambĂ´ e possui 416 páginas.

Vamos ao que interessa.

Olá, leitores do Legado das Palavras.
Hoje vou falar sobre o primeiro livro lançado (e o primeiro que eu li) do autor Stephen King. Carrie, A Estranha, foi o primeiro livro publicado do autor, considerado por muitos o mestre do suspense e terror. Embora suas obras fora destes gĂŞneros sejam fantásticas. EntĂŁo sem mais delongas vamos ao que interessa.



Bem vindo ao blog Legado das Palavras. É com imenso prazer que hoje estreia a coluna de resenhas do blog. Espero que aproveitem ao máximo as recomendações. Caso queiram expressar suas opiniões ou deixar alguma sugestĂŁo, ou qualquer outra coisa, basta enviar um comentário ou email para o blog. A primeira resenha Ă© de um livro que gosto muito, do autor AndrĂ© Vianco. Lançado em 2000, primeiramente de forma independente, depois pela editora Novo SĂ©culo, possui 380 páginas.

Vamos ao que interessa