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Legado das Palavras: cinema

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Ir ao cinema e surpreender-se com a história de um filme é muito prazeroso. A obra sequer precisa ser memorável ou a coisa mais empolgante da década, basta trabalhar bem o que tem em mãos e entregar ao espectador algum tempo de imersão na história contada. Boneco do Mal (The Boy), em síntese, é exatamente um desses filmes.
Dirigido por William Brent Bell (Filha do Mal e Stay Alive) e estrelado por Lauren Cohan (a Megan de The Walking Dead), Boneco do Mal, em um primeiro olhar, pode parecer claramente uma simples cópia de Annabelle. Afinal, é um filme de terror com um boneco. E em até certo ponto, a trama trabalha para que essa imagem seja mantida. O que se mostra uma jogada inteligente, pois assim o efeito de seu grande plotwist é potencializado.

Oi! Como estĂŁo?
Este post marca a estreia do Legado das Palavras em 2016. Como das outras vezes, algumas feitas em outros blogs, gosto bastante de criar uma lista com os melhores filmes que eu assisti — e foram lançados — no ano em questĂŁo. No caso, 2015.  
A lista carece de filmes com grande potencial, mas que, infelizmente, nĂŁo consegui assistir ainda. Os filmes, listados abaixo, nĂŁo seguem na ordem de preferĂŞncia, em suma sĂŁo dez filmes que vocĂŞ precisa assistir. E vale ressaltar: nĂŁo sou crĂ­tico de cinema tampouco um grande entendedor da arte — embora esteja buscando sempre adquirir maior conhecimento sobre ela.
A lista é, portanto, uma maneira de conversar com os leitores sobre as obras cinematográficas que mereceram destaque aqui. Talvez vocês também tenham suas listas, então, não hesitem, e as coloquem nos comentários.
Sem mais delongas, vamos ao que interessa:

Star Wars: O Despertar da Força



Divertido e nostálgico. Homenageou e respeitou os antecessores, mas mais que isso, ainda conseguiu dar fôlego à nova trilogia e me deixar muito ansioso pelos próximos. Possui o seus problemas, alguns em relação ao roteiro, mas que não afetaram a minha experiência com o longa. O saldo positivo foi muito maior.

Slow West   


 


Nos últimos anos, tive a felicidade de assistir ótimos filmes de faroeste. Dentre eles posso citar Django Livre, A Salvação, O Vale Sombrio. Em 2015, tivemos outros três ótimos nomes para incluir nessa lista: Bone Tomahawk, um faroeste com canibais, o brilhante Os Oito Odiados, e o nono lugar da lista: Slow West. Dono de uma fotografia e diálogos maravilhosos, conta com um roteiro excelente e as atuações ótimas de Michael Fassbender e Kodi Smit-McPhee. Além disso tudo, o final é incrível.

Corrente do Mal



Desde suas primeiras exibições mundo afora, angariou muitos fãs e críticas positivas, mas também houve que não gostou. Depois de assistir pela segunda vez, me rendi ao filme e a sua inovação no gênero. Embora o roteiro tenha deslizes, a premissa é criativa. Destaque para o prólogo, uma introdução assustadora, que trabalha com o medo do que não é visto. Conta também com ótima fotografia e trilha sonora.

Divertida Mente



A Pixar, após certo tempo em uma baixa nem tão baixa assim, nos brindou com Divertida Mente. Um filme sobre memórias e as emoções que as comandam. Um roteiro brilhante que conversa com os adultos, talvez, mais que com as crianças. Ainda assim, o publico infantil fica apaixonado pelos personagens e a animação em si. Uma das animações mais recentes que quase me fez chorar, e olha que as únicas que conseguiram me arrancar algumas lágrimas foram Túmulo dos Vagalumes e Mary e Max.

Sicario — Terra de NinguĂ©m



Sicario tinha tudo para ser apenas mais um filme sobre os cartĂ©is mexicanos e passar despercebido, sem alarde. Tinha atĂ© mesmo o roteiro: ora fraco e inconsistente, ora previsĂ­vel. Apresenta uma subtrama que pouco contribuiu para a narrativa e o seu desfecho tampouco apresentou o clĂ­max, talvez, imaginado pelo roteirista.  O que o torna tĂŁo bom Ă© a direção de Denis Villeneuve. Ele extrai o máximo que consegue do roteiro, eu diria que atĂ© ajuda a torná-lo melhor. O filme Ă© sufocante, chocante, brutal, mas tudo isso Ă© construĂ­do pela direção densa de Villeneuve. Apesar de ter poucos filmes no currĂ­culo, Ă© justo dizer que o diretor canadense Ă© um dos atuais mestres do suspense.

Que Horas Ela Volta?



Um filme sensível. Conta com a atuação impecável da atriz Regina Casé, mas não apenas isso. O filme explora a distinção entre as classes sociais brasileiras, mostra como, nos últimos anos, as filhas de empregadas possuem as mesmas oportunidades que os filhos dos patrões.
Um espelho da nossa sociedade. Pode soar irritante o modo como a Jéssica age, no entanto, isso quer mostrar que os tempos mudaram. Que muitas Jéssicas em nosso Brasil não abaixam mais a cabeça para preconceitos ou pensamentos negativos. Ela representa os jovens pobres que agora possuem uma chance de crescer, e que não se deixam intimidar, antes os desafios ou membros de outras classes.
Que Horas Ela Volta? faz a gente enxergar tantas pessoas representadas em seus personagens, emociona, revolta, mas não deixa de dar um fôlego de esperança.

Os Oitos Odiados



Quentin Tarantino arrisca novamente no gĂŞnero faroeste e acerta. Como de costume, a direção Ă© Ăłtima, aliada a um belo roteiro. Os diálogos caminham de maneira incrĂ­vel entre o cĂ´mico e o suspense, a tensĂŁo. Aliás, filme esse, que possui boa parte construĂ­da apenas em diálogos. AlĂ©m disso, existem as marcas já registradas do diretor.  Os Oito Odiados tambĂ©m discute em suas entrelinhas o racismo e a misoginia de maneira incrĂ­vel.
Samuel L. Jackson e Jennifer Jason Leigh roubam a cena dos demais atores, principalmente essa Ăşltima. Ela vive mais uma das fortes personagens femininas de Tarantino.

Ex-Machina



O filme Ă© a estreia de Alex Garland (roteirista de ExtermĂ­nio e NĂŁo Me Abandone Jamais) na direção.  Os Ăłtimos efeitos especiais, sĂŁo ofuscados pelo roteiro interessante que explora diversas situações envolvendo o avanço da inteligĂŞncia artificial, imergindo o espectador na histĂłria, fazendo-nos acompanhar, atento, o desenrolar incrĂ­vel que o Ex-Machina tem. Um thriller psicolĂłgico e tambĂ©m filosĂłfico, embora este Ăşltimo item já tenha sido exaustivamente explorado em outras obras.
Sem dúvidas um dos grandes filmes de 2015, e conta com um time de poucos atores, mas que conseguem conduzir a trama sem deslizes, destacando a atriz Alicia Vikander, numa das melhores atuações do ano.

Beasts Of No Nation



Se você já assistiu a primeira temporada de True Detective, inteiramente dirigida por Cary Fukunaga, sabe a habilidade e o talento que esse diretor tem. Ainda que auxiliado por um ótimo roteiro e atuações brilhantes, ele conseguiu impor sua marca e gravar o seu nome ao dirigir uma das melhores séries da última década.
Fukunaga foi o escolhido para conduzir o primeiro filme original da Netflix, e o brilhantismo continua o mesmo. Uma direção absurda, com direito a um plano sequência excelente, aliada a uma fotografia que explora e conduzem o espectador durante as sequências do filme. Se Sicario foi salvo pela ótima direção, Beasts of No Nation foi elevado ao outro patamar graças a ela.
Um filme brutal que mostra a Ăłtica de uma criança ante os horrores da guerra. É a estreia do ator mirim Abraham Attah, sequer lembrado em prĂŞmios importantes, mas que entrega uma atuação excelente. AlĂ©m dele, contamos com a atuação magistral de Idris Elba, que, tambĂ©m, sequer recebeu uma indicação nos prĂŞmios mais famosos. Um dos melhores atores dessa geração que, grotescamente, Ă© atingido pelo preconceito da indĂşstria — ainda bem que nĂŁo da arte.
   
Mad Max: Estrada da FĂşria


Furiosa. 

Menções Honrosas:

- Dope
- Turbo Kid


Sempre me questionei, após ler os livros do escritor John Green, o motivo das histórias ainda não terem ido aos cinemas. A maneira como suas obras conversam, sobre diversos temas da vida, com o publico jovem, são um grande atrativo. Em um espaço relativamente curto de tempo entre eles, chegaram A Culpa é das Estrelas, em 2014, e Cidades de Papel, estreia recente nos cinemas brasileiros.
Ainda que guardem elementos em comum, as narrativas de Green possuem um tom caracterĂ­stico e em Paper Towns (nome original) nĂŁo Ă© diferente. Os roteiristas sĂŁo Scott Neustadter e Michael H. Weber, eles novamente adaptam uma obra do autor; a dupla tambĂ©m roteirizou The Fault In Our Stars (nome original) – dentre outros trabalhos, adaptaram O Maravilhoso Agora (The Spectacular Now) e, Neustadter, baseado em dois relacionamentos reais, criou a histĂłria 500 Dias Com Ela (500 Days Of Summer). Ou seja, pela bagagem de ambos, fica fácil perceber que tambĂ©m possuem uma linguagem que fala bastante com o pĂşblico adolescente. Jake Schreier (Frank e o RobĂ´) faz uma boa direção, sem inovação ou brilhantismo, mas tambĂ©m passa distante do fracasso.
Natt Wolf, que foi um bom coadjuvante em A Culpa Ă© das Estrelas, agora Ă© o protagonista, Quentin. O garoto Ă© apaixonado pela indecifrável e bela, Margo Roth Spielgeman, interpretada por Cara Delenvigne. Radar (Justice Smith) e Ben (Austin Abrams) – este Ăşltimo destaca-se pela atuação, repetindo o feito de Wolf como coadjuvante – interpretam os melhores amigos de Quentin.
Margo e Quentin se conhecem após tornarem-se vizinhos, ainda crianças, e consequentemente grandes amigos. O decorrer dos anos faz Quentin entender que está apaixonado pela garota, mas passagem do tempo acaba afastando-os, embora ainda morem lado a lado. Separados pela adolescência, Quentin tem uma grata surpresa quando, em uma noite qualquer, Margo invade seu quarto, convidando-o para fazer parte de sua vingança contra pessoas que lhe fizeram mal.
Ele vive a melhor noite de sua vida, porĂ©m, nos dias posteriores Ă  insana aventura, Margo desaparece sem deixar pistas – exceto para Quentin. Unidos com os amigos e cheio de paixĂŁo, Quentin sai Ă  procura de mais pistas, o que os leva em uma verdadeira road trip na incessante busca por Margo.
Os leitores mais fiéis estranharão a livre adaptação feita da obra. Em certo momento, ganha vida própria, desprendendo-se do enredo do livro. Não é recente a birra que pessoas nutrem quanto à fidelidade, na maioria dos casos, ela pende para o lado negativo (vide Under The Dome); mas em Cidades de Papel ocorre o contrário. Muitos excessos em relação à história original são retirados, dando agilidade ao enredo e melhorando as mensagens passadas por John Green (ponto para os roteiristas). Quanto ao final, ele não é exatamente como no livro, o que vai gerar muita discussão entre os fãs. Entretanto, assim como a liberdade de uma adaptação prejudica, a aposta dos responsáveis, consegue mostrar que podem existir ganhos. E esses benefícios ficam claros na atualização das referências da cultura pop (rimos com citações de Pokémon a Game Of Thrones), que geram trechos divertidos na projeção.
Os personagens seguem a mesma ótima linha de construção e são bem desenvolvidos dentro da narrativa, o que auxilia muito os protagonistas, uma vez que Natt Wolf e Cara Delenvigne não tenham uma química excelente. Pontos chaves do livro fazem-se presentes, para delírio dos leitores.
O filme Ă© voltado para o publico jovem, cujas amizades e amores estĂŁo sendo despertados, mas tambĂ©m desperta a nostalgia de tempos escolares e grandes amizades da vida nos mais velhos. Cidades de Papel está cheio de bons sentimentos que nos remetem a fases emocionantes de nossas existĂŞncias.  





Há quase três anos, chegava aos cinemas o primeiro longa que reuniria alguns dos mais poderosos heróis da Marvel, obviamente, são eles: os Vingadores. Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth), Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Hulk (Mark Ruffalo) encontraram em Loki, seu primeiro desafio como uma equipe. Após o pontapé inicial, no último dia 23, a casa das ideias deu o segundo passo utilizando sua superequipe, trazendo para os cinemas o filme Vingadores: A Era de Ultron.
A projeção se inicia com uma introdução repleta de ação, daquelas que não faltam tiros, porradaria e, claro, o Hulk esmagando inimigos. O tempo de tela e a movimentação de cada personagem são bem delimitados, Joss Whedon consegue mostrar, em meio à batalha, a importância de cada herói. Isso fica ainda mais claro na empolgante batalha contra o exército de Ultrons.
A direção de Whedon Ă© cuidadosa e competente, assim como o roteiro. Esse Ăşltimo caminha bem durante quase todo o filme. A histĂłria mantĂ©m-se coesa e com timing perfeito, principalmente em seu aspecto mais cĂ´mico, e tambĂ©m se preocupa em dar profundidade para personagens como o GaviĂŁo Arqueiro e ViĂşva Negra – o que Ă© interessante, uma vez que eles nĂŁo possuam seus prĂłprios filmes.  
Segundos filmes de trilogias ou quadrilogias, possuem a difĂ­cil missĂŁo de nĂŁo passar a impressĂŁo de estarmos assistindo algo sem inicio e sem fim. Vingadores: A Era de Ultron, consegue inibir essa sensação, ao menos minimizá-la, entretanto, ao final, fica claro que se trata de um de prĂłlogo para a grande cartada da Marvel, já citando a Guerra Infinita. O filme Ă© extremamente competente em ganhar a empatia e a atenção do espectador, grudando-o nas poltronas com seus Ăłtimos efeitos especiais e combates mirabolantes – o embate entre o Homem de Ferro e Hulk deixa em frenesi.  



O descuido do roteiro, que sequer interfere em sua construção narrativa, vem na criação acelerada do vilĂŁo Ultron (James Spader), embora sem pedantismo, o nascimento do robĂ´ poderia ter sido explorado de modo mais eficaz, uma vez que engloba um tema que gera certa discussĂŁo: a inteligĂŞncia artificial. Outro pequeno deslize Ă© a motivação dos irmĂŁos Wanda e Pietro Maximoff (Elizabeth Olsen e Aaron Johnson, respectivamente) que mesmo sendo plausĂ­vel, Ă© rasa. Se levarmos em consideração a criação deles nesse filme (já que a Marvel nĂŁo podia utilizar o termo mutante, pertencente Ă  Fox), a construção de ambos torna-se ainda mais superficial.  
Contudo, Wanda e Pietro são personagens importantes para o desenvolvimento da trama e também trazem novos ares (digo, poderes) à franquia. Por falar em novo, a chegada do Visão (Paul Bettany) é incrível, aqui, ocorre o contrario ao gêmeos: ele é bem construído e desenvolvido, mas em compensação, suas habilidades, apesar de serem usadas, permanecem um pouco incógnitas. Além das novas caras, velhos (nem tão velhos assim) conhecidos fazem diversas participações especiais: Falcão (Anthony Mackie), Agente Carter (Hayley Atwell), Heimdall (Idris Elba), Dr. Erik Selvig (Stelan Skarsgård), Maria Hill (Cobie Smulders), Máquina de Combate (Don Cheadle), Nick Fury (Samuel L. Jackson) e Dr. Ulisse Klaw (Andy Serkis), personagem que provavelmente terá alguma ligação com o filme do Pantera Negra.



Ultron Ă© um tanto filosĂłfico. Seus princĂ­pios de paz sĂŁo extremos, chegando ao ápice de, caso necessário, exterminar a raça humana para salvá-la – o que rende uma piada excelente referenciando NoĂ©. O design e os efeitos que lhe dĂŁo vida nas telas Ă© meticuloso, tanto que a máquina atĂ© mesmo movimenta seus lábios artificiais enquanto fala. A escada de Ăłtimos vilões que começou com Loki, sobe mais um degrau, agora, com Ultron e esperamos que continue com Thanos.



Mais uma vez Joss Whedon soube com maestria criar um filme que agrade os fãs dos quadrinhos, mas capaz de ganhar novos adeptos ao cinema de super-heróis. Quando os créditos (e o pós-crédito, claro) sobem, temos a sensação de expectativa saciada e, ao mesmo tempo, a ansiedade já se espalha em nós, principalmente sabendo o que vem pela frente.
Vá ao cinema, pois a diversĂŁo Ă© garantida.  




Orgulhosamente apresento-lhes o podcast Radialética! O blog faz parte de um projeto que o interliga ao Legado das Palavras. Ou seja, as chamadas serão feitas aqui, claro, para ajudar com a divulgação. Eu, Hugo, dono e administrador deste blog, também sou o host do podcast e também publicarei alguns textos ligados à sétima arte no blog Radialética. Espero que gostem e se divirtam com ele. Abaixo a postagem original:

Nele, os participantes batem um papo descontraĂ­do sobre suas Ăşltimas leituras e, tambĂ©m, sobre filmes e sĂ©ries assistidas recentemente que merecem ser compartilhados. VocĂŞ poderá notar a diferença de gostos, incluindo algumas polĂŞmicas, como: "Neil Gaiman melhor que J. K. Rowling", "Jogos Vorazes Ă© tipo CrepĂşsculo", “Eu acho Supernatural ruim mesmo!”, entre outras pĂ©rolas.

Esperamos que vocĂŞs gostem e venham discutir suas opiniões conosco. AlĂ©m, claro, de deixar crĂ­ticas ou elogios, talvez alguma dica, para que a gente sempre traga um programa bem divertido e informativo.  



Chloë Grace Moretz é Chloë Grace Moretz. E ponto. Não sei definir o motivo, mas gosto muito da atriz, talvez por ela ser a Hit-Girl ou pelo filme Deixe-me Entrar (Let Me In, 2010). Sempre fico curioso para conferir seu novo trabalho, por isso fui assistir Se Eu Ficar (If I Stay) nos cinemas.
Após sofrer um acidente de carro, Mia Hall (Chloe) entra em coma e se vê diante de duas possibilidades: aceitar e partir ou ficar, lutar pela vida, e enfrentar um futuro extremamente doloroso e complicado. Fora de seu corpo, o que parece ser sua alma, vê o impacto do acidente na vida das pessoas próximas, além de fazer com que se relembre do passado, de suas escolhas, dúvidas, medos e sonhos.
Se por um lado o roteiro acerta em tirar o peso dramático do filme ao utilizar a comicidade dos personagens, acaba errando na narrativa não linear da história, um vai e vem no tempo que acaba por se arrastar em várias sequências e deixar o longa um pouco cansativo apesar de não ser extenso. Muitas das cenas melancólicas não fluem naturalmente, aliás, não foram construídas para isso, caindo na velha técnica de forçar lágrimas. Os diálogos por sua vez, são mais críveis e menos teatrais que de inúmeros filmes adolescentes. Ainda que com uma proposta boa e mais adulta, o filme não consegue fugir dos inúmeros clichês do gênero.
Chloe Moretz aparece em uma boa atuação pelo lado romântico, a garota carinhosa e apaixonada lhe cai bem. Quanto ao lado dramático, ela ainda carece de experiĂŞncia, acredito. Sua tristeza e descrença ante aos fatos soa superficial demais (o mesmo acontece em Carrie). Quando está fora de seu corpo, sua Ăşnica função Ă© correr pelo hospital, a personagem força uma incompreensĂŁo de algo facilmente compreensĂ­vel. Esse pequeno deslize pode ser esquecido com um pouco de aceitação, quando a vemos empunhando o violoncelo, ela está totalmente Ă  vontade no instrumento e parece sentir a emoção da mĂşsica tocada. 
Jamie Blackley (Adam), que interpreta o interesse amoroso de Moretz, convence em seu papel, formando um bom par romântico, apesar da quĂ­mica entre eles nĂŁo ser a melhor possĂ­vel. Coadjuvantes como os pais de Mia,  interpretados por Joshua Leonard (Denny Hall) e Mireille Eno (Kat Hall), trazem diversĂŁo Ă  trama com seus personagens vividos e interessantes. Stacy Keach (avĂ´ de Mia), se faz presente em algumas decisões importantes e oferece peso dramático. Por fim, temos Liana Liberato (como Kim, melhor amiga de Mia), que embora pouco explorada, faz uma boa atuação, sua personagem dá empurrões constantes pra que Mia evolua dentro da histĂłria.
Por fim, temos uma enxurrada de referĂŞncias musicais bem trabalhadas e desenvolvidas com a histĂłria. NĂŁo sĂŁo apenas citações desenfreadas de bandas e mĂşsicos conhecidos, mas sim menções feitas por pessoas que amam o que fazem, como no caso de Mia, violoncelista apaixonada por Ludwig van Beethoven ou Adam, que em certo momento da vida se viu embalado por uma canção dos Ramones. 
Em uma Ă©poca onde best-sellers sĂŁo cada vez mais adaptados, numa corrida incansável para encontrar a prĂłxima “loteria”, Se Eu Ficar, adaptação do livro homĂ´nimo da escritora Gayle Forman, foi dirigido pelo estreante R. J. Culter e roteirizado por Shauna Cross e acaba sendo um filme interessante, longe de uma catástrofe, que agradará tanto os fĂŁs do livro, quanto quem tiver o primeiro contato apenas pelo cinema. Mas que nĂŁo escapa de ter um fim lento e arrastado. É impossĂ­vel nĂŁo pensar que o potencial do longa poderia ter sido melhor explorado. Prova disso foi o misto de satisfação e insatisfação ao final da projeção.  

  

Começarei com uma confissĂŁo: A Culpa Ă© das Estrelas nĂŁo Ă© meu livro favorito do escritor John Green. Contudo, gostei da histĂłria, talvez seja um pouco superestimado por algumas pessoas. Talvez nĂŁo. O fato Ă© que se tornou um fenĂ´meno – e nĂŁo sĂł de vendas - muito comentado e indicado, a histĂłria de Hazel e Gus eclodiu entre os jovens e nĂŁo parou apenas neles. A adaptação do livro de Green estreou nos cinemas na Ăşltima quinta-feira e eu fui conferir.
O cinema estava cheio. Pessoas saĂ­am das salas com os olhos marejados e avermelhados. Outras pessoas choravam copiosamente. Respirei fundo e pensei “vamos lá!”.
Hazel Grace Lancaster (Shailene Woodley) é paciente terminal que, mesmo lutando contra a doença, auxiliada pela medicina, compreende que o desfecho de sua vida pode acontecer repentinamente. Solitária e conformada, ela sequer imaginaria conhecer alguém que mudaria sua história. Alguém inesquecível. Augustus Waters (Ansel Elgort), o desejo de toda garota. Hazel e Gus se conhecem graças aos encontros do Grupo de Apoio a Crianças com Câncer, completando as ausências de suas vidas em um romance inspirador, irreverente e melancólico.
A Culpa Ă© das Estrelas chega com aquele sabor de uma Ăłtima adaptação para os fĂŁs, capaz (e muito!) de agregar ainda mais admiradores Ă  histĂłria, mesmo que desconheçam o livro. Os roteiristas Scott Neustadter e Michael H. Weber (que tambĂ©m escreveram 500 Dias Com Ela), conseguiram transpor toda essĂŞncia do livro Ă s telas de cinema, capturaram o que tinha de melhor e exploraram da melhor maneira possĂ­vel. Os diálogos sĂŁo totalmente fieis Ă  obra original, embora sejam grandiloquentes, atravĂ©s das atuações – principalmente da Shailene e Ansel - torna-se verossĂ­mil, delicados e cheios de emoção. O diretor Josh Boone (do Ăłtimo, Ligados Pelo Amor) conduz o filme com uma narrativa simples, ciente que a queda ao clichĂŞ Ă© possĂ­vel, consegue tirar a atenção do casal e do romance, utilizando muito bem a mĂŁe de Hazel, interpretada por Laura Dern, e o escritor pĂ©-no-saco, vivido por Willem Dafoe. Utilizando tais personagens para explorar outros sentimentos em Hazel, tira o foco do romance, sem cansar o pĂşblico. Quanto Ă  trilha sonora melancĂłlica, ainda que Ăłtima, Ă© um pouco apelativa, e embalada a tristeza dos personagens e da histĂłria em todos os momentos.
O filme me surpreendeu. Assim como o livro, vai além do romance barato entre pessoas com câncer. A morte é martelada a todo instante, a tristeza impregnada não consegue aflorar, soterrada com as aventuras daquelas duas vidas entrelaçadas. Não é apelativo, porém consegue comover (em quase toda a projeção foi possível ouvir sniff! sniff!), o drama é bem explorado e o que dá o peso e a coesão necessária para não ser algo maçante e apelativo são os atores.
Shailene Woodley (Divergente) e Ansel Elgort (Carrie) possuem uma química incrível entre eles, as atuações são carregadas, poderosas. Shailene consegue encarnar perfeitamente a Hazel carismática, amorosa e chata! Ansel, por sua vez, com seus trejeitos, seu jeito de olhar, o modo como sorri, faz os corações palpitarem mais forte e a carga dramática que ele emprega no personagem numa devida parte do filme é incrível. Desde o primeiro instante quando se encontram, nasce uma grande empatia pelo casal que no decorrer da história só aumenta. Você sabe, sente, busca se preparar, quer evitar, mas para muitos as lágrimas são quase inevitáveis (fiquei com um cisco no olho me irritando). O filme prepara, entrega o que acontecerá, e, ainda assim, o golpe é doloroso e emocionante. Laura Dern e Dafoe surgem muito bem em cena com atuações bastante consistentes, assim como Nat Wolff.

O filme traz as mensagens e metáforas escritas por Green. É sutil, delicado. Apresenta muito mais que um amor com o fim determinado, assim como o livro. Cria uma forte empatia rapidamente, logo nos primeiros minutos. Eu temia que a adaptação não ficasse tão boa, me surpreendi, por fim, acabei achando ainda melhor que o livro. É um dos grandes filmes do ano e a melhor surpresa até agora.