Olá, leitores do Legado das Palavras!
É com imensurável prazer que trago até
vocês a resenha de um dos livros que mais mexeram comigo nesses últimos tempos.
Uma história poderosa que me fez rever o meu modo de vida e, principalmente,
acreditar mais em coisas boas - ao menos trabalhar em prol delas.
A obra em questão é O Lado Bom da Vida, do autor Matthew
Quick. Como alguns de vocês devem saber, o livro ganhou uma adaptação
cinematográfica recentemente, um filme incrível, ainda que não seja uma
adaptação fiel é excelente. E foi no cinema que tive o primeiro contato com a
obra. Assim que o filme acabou eu pensei: “Ual!
Preciso ler o livro!”, assim fui direto à livraria e adquiri a obra. O
livro foi lançado aqui pela editora Intrínseca.
Pat Peoples, ex-professor,
se vê internado em uma instituição psiquiátrica. Para ele, a internação no “lugar
ruim” durou apenas alguns. Ele não se lembra do motivo de ter ido para lá. Pat consegue
se lembrar apenas da esposa, Nikki, pedir para que ficassem “um tempo separados”.
Seu pai se recusa a conversar, a esposa nega encontra-lo e os amigos evitam
comentar os motivos de sua internação. Determinado a reconquistar tudo o que
perdeu Pat decide levar uma nova vida, ele deseja reconquistar sua esposa,
praticar ser gentil e através de muita malhação obter um ótimo estado físico.
Determinado ele acaba por conhecer uma pessoa que realmente fará a diferença em
sua vida: Tiffany, uma mulher que também tem os seus problemas pessoais e ao
seu modo ajudará Pat a enxergar a verdade e dar outros rumos à sua vida,
afinal, ele acredita em finais felizes e no lado bom da vida.
Concordo que a leitura do livro tem
momentos que torna-se um pouco cansativa e repetitiva, mas isso pode ser
superado com um pouco de persistência aliado a compreensão da história. O
enredo traz a perspectiva de alguém que busca reconstruir sua vida sem saber de
seu passado recente. Quantas pessoas não desejam apagar suas lembranças ruins e
recomeçar? Muitas. É emocionante acompanhar o desenvolvimento e as descobertas
que Pat faz ao longo da história, ainda mais comovente são suas divagações
sobre tudo que o envolve.
A escrita de Quick faz muitos contornos
antes de chegar ao ponto principal, mas isso não é totalmente ruim, afinal,
muitos destes contornos transportam o leitor à uma variedade de cenas cômicas e
dramáticas, praticamente seguidas, a alternância destes gêneros e notável e bem
construída.
Nem todos os personagens possuem seu
espaço e tem um bom desenvolvimento, além de Pat e Tiffany, protagonistas,
temos a mãe de Pat, Dolores. Mas, como um contrapeso, eles são bem construídos,
tanto suas personalidades problemáticas quanto a descrição de seus sentimentos
crescentes.
Para nós, brasileiros, que não estamos
tão acostumados com o futebol americano, esporte abordado demasiadamente no
livro, talvez a leitura possa incomodar - no meu caso não chegou a incomodar,
mas é notável o excesso - muitas situações estão ligadas a paixão e a devoção
entre os fãs e o esporte. Admito que no momento estou assistindo a série Friday Night Lights, e por isso me
identifiquei muito com essa situação no livro e não achei cansativa, ao
contrário achei uma curiosidade legal entender como é o fanatismo pelo esporte.
O livro comove com as palavras usadas
para dar vida a Pat, sua maneira de enxergar a “nova vida”, o modo dele aceitar
situações inusitadas para contribuir com o “roteiro do filme da sua vida” para
que este possa ter um final feliz é belo. A mensagem de que, às vezes, todos
precisamos de uma amizade sincera é muito importante. Além de citar o grande
nome da literatura, Hemingway, e, por que não acreditar que Quick tenta
aproximar as obras deste autor para uma nova geração?
O
Lado Bom da Vida tem suas falhas e escorregadas, poderia
ser ainda melhor do que é, mas mesmo assim, caiu no meu gosto e me fez refletir
sobre coisas boas, além da vontade de ler Hemingway, isso, por si só, já são
coisas boas. Obras assim provavelmente não se tornarão fenômenos, mas são
essenciais para ajudar a compreendermos a vida e algumas questões que envolvem
ela, tal como perdoar, aceitar as diferenças, oferecer auxílio e acreditar...
...No lado bom da vida.

0 comentários: