Eis que ressurjo das
cinzas! Prometo impor uma frequência boa de postagens no blog daqui para
frente, afinal, em breve, vocês terão uma grata (eu espero que seja) surpresa
aqui no Legado das Palavras. Sem mais delongas, vamos ao que interessa.
Meses atrás em uma das
inúmeras promoções do Submarino (não
é jabá), adquiri o livro Todo Dia, do
escritor norte-americano David Levithan,
lançado aqui em solo tupiniquim pela editora Galera Record. A obra possui 280 páginas.
Até então, não tinha
lido nada do autor, apenas assistido ao filme Nick e Norah - Uma noite de amor e música, que é baseado em seu
romance homônimo, co-escrito com a Rachel
Cohn. Claro que eu também já havia lido o nome do autor estampando a capa
de Will & Will: Um Nome, Um Destino,
livro esse co-escrito com o adorável John
Green. Eu poderia dizer que o comprei pelo preço, mas não foi (apenas) por
isso. A sinopse do livro realmente atiçou minha curiosidade:
“Neste
novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu
protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o
gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por
um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias
regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de
Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas
prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a
cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.”
Esta é uma história de
idas e vindas, de não pertencer a lugar nenhum, de aprender a abrir mão de
coisas importantes em nossas vidas. A temática é interessante, embora não se
explique, não tenha um porque, ela se sustenta como algo que simplesmente
acontece. Seria A, um espírito que pula de corpo em corpo diariamente? Seria
isso um dom ou maldição? É difícil categorizar. Mas Levithan consegue
desenvolver o enredo com muita sutileza, ao explorar as mais diversas personalidades,
retratando seus problemas, medos e sonhos. Cada corpo em que A acorda, traz uma
perspectiva nova sobre o mundo. David Levithan nos oferece frases reflexivas e ótimas
mensagens sobre uma fase atribulada da vida.
Aos poucos, conforme a
história avançou, eu pouco me importava em saber a origem de A. Queria apenas
ler como ele lidaria com as singularidades encontradas em cada um dos corpos
“possuídos”, ver as mesmas situações sob outras óticas. Além disso, senti uma
necessidade enorme de chegar ao final da história, principalmente após A se
apaixonar por Rhiannon. Algo que ele nunca se permitiu, devido ao seu “código
de honra” de nunca interferir na vida das pessoas, de sempre fazer o possível
para deixar as coisas como estão. Quando ele rompe esse código, tenha certeza que
é por uma ótima causa. Li os últimos capítulos com os olhos marejados.
Embora A, seja um tanto
conformista quanto a sua situação, é um personagem carismático. Que se aceita em
qualquer corpo, sem distinção. Heterossexuais, gays, lésbicas. É uma luta contra
o preconceito. O ato final de A, resume bem o personagem. Já Rhiannon, é
apaixonante. Busca entender a situação e mesmo quando está de joelhos, sem
saber como reagir, prestes a desistir, é movida pelo amor. Quer ser amada como
nunca. Ela recebe esse amor. De uma pessoa sem forma, nem rosto. E é engraçado
ver como ela lida com as várias faces de A, também é lindo ver seu amor
transcender barreiras.
David Levithan escreve
com leveza e classe, tem uma narrativa muito criativa e concisa, bons elementos
que fazem a leitura fluir muito bem. Por fim, tive uma grata surpresa com esse livro,
que superou minhas expectativas iniciais, e me apresentou um novo autor, cujo
quero buscar outras obras suas para ler.
É certo que Todo Dia entrou para minha lista de
indicações.

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